Arquivo | setembro, 2012

Eike vontade de

28 set

várias coisas. É fato que quanto mais difícil é ter uma coisa, mais você vai querer. Eu por exemplo não como crepes – o bom e verdadeira crepe de queijo, que vendem no terminal – há uns belos 5 anos. Mas é claro que agora eu fico mortinha de vontade de comer um crepe (do bom e verdadeiro) toda vez que vejo uma barraca de crepes (aquele que na verdade é só uma panqueca) na rua! E isso é tipo, sempre!

Claro que eu sabia que o crepes aqui da França é uma mera panqueca, isso não foi uma surpresa, mas o desejo LOUCO por crepes de terminal realmente me surpreendeu.

O que eu acho interessante é que é bem fácil encontrar por aqui um lugar que venda uma outra gostosura dessas que a gente come na feira: churros. Sim, churros! E olha que o daqui é bem maior que o do Brasil, e ainda vendem numas barracas muito mais bonitas, coloridas e atraentes do que aquelas que a gente tá acostumado, que usam o mesmo óleo por um mês. Mesmo com todos esses atrativos, nunca comi churros aqui. O que demonstra que eu só quero o que eu não posso.

Estou também com muita vontade de ler um livro, qualquer que seja, em português. Não suporto a ideia de ler um livro em qualquer outra língua que seja e é claro que eu não trouxe nem unzinho comigo (carregar peso na mala pra quê?)!  Livro em francês, sai de mim! (inglês tmb não quero)

Enfim…

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Residência Universitária André Allix

23 set

A residência universitária André Allix é o lar doce lar de muitos estudantes lioneses, sejam eles estrangeiros ou não. Ó a alegria de ter um quarto para morar, num país que sofre com a crise de moradia! Já seria bastante bom se fosse apenas um lugar para morar, mas o que eu gosto mais é que ela ainda por cima tem um charme todo especial! Vou mostrar pra vocês nesse post essa parte que eu acho tão bonita da residência, assim como a parte boa porém bem menos cativante em que eu moro, e também seus detalhes negativos, por que nem tudo é perfeito né minha gente?

História

Primeiramente, gostaria de dizer que eu gosto muito de portas. Alguma relação com The open door é possível, mas não com o The Doors. Então, apesar de já ter visto algumas fotos online antes de vir para França, me surpreendi muito com a beleza da entrada da residência. Fico sempre muito admirada quando passo por aqui:

Deixa eu entrar aqui pelo portão de casa.

Muito amor por essa porta. Passar por essa entrada não é a forma mais rápida de chegar ao meu prédio, porém ela é tão bonita que eu topo andar mais e até subir aquele morrinho que tem logo ali. Risos.

Obviamente essa porta não foi posta aí lá pela década de 80. Na realidade, ela não é tão antiga, data do século XX, mas o fato é que Lyon é uma cidade com muita história. Eu poderia sair jogando umas dadas aqui e dizendo que um imperador chamado Cláudio nasceu em Lyon (o que é verdade!), mas não quero correr o risco de falar MUITA asneira (apenas algumas). Então eu vou focar apenas nas asneiras básicas, e deixo a pesquisa wikipediana sobre a história de Lyon para outra madrugada. Mas porque eu tive que dizer que Lyon tem muita história então? Oras, para lhes dizer que logo que passamos pelo portal mágico, podemos ver ruínas de um aqueduto romano, sim!

É uma pena que não esteja bem conservado. Tem também um aviso que diz para sermos cautelosos devido ao risco de desmoronamento. oO

Até onde eu sei, os romanos começaram a se instalar na cidade justamente nessa região alta em que estou, mais especificamente onde se encontra a Basilique Notre Dame de Fouvrière, que é bem perto daqui, então não é de se surpreender com essas ruínas, já que podemos encontrar outras em várias partes da cidade.

Muito tempo depois dos romanos, em 1832, foi construído o Forte militar, chamado Saint Irénée como a Igreja que fica logo em frente (post sobre ela em um momento futuro):

Forte a esquerda, igreja Saint Irénée no centro e entrada da residência a direta.

Lá por 1920, o local foi cedido pelo  exército para a Université Lyonnaise, e se tornou sede do Instituto Franco Chinês, como podemos ver ainda marcado no portal de entrada:

E,finalmente, o local se tornou residência universitária em 1955.

E agora?

Agora vamos à parte atual da coisa! Com o passar dos anos, outros prédios foram sendo construídos no terreno, sendo atualmente 9 no total. Existem 4 tipos diferentes de quarto. O “Vieux Fort” (velho forte), por exemplo, é atualmente a parte chique da Allix, onde cada um mora em um studio de 18 m², com banheiro e cozinha privativos, o que é o cúmulo do luxo.

Obviamente, meu desejo era desde o princípio um quarto com banheiro individual, pois a ideia de dividir banheiro durante um ano não me parecia nada agradável. Consegui apenas um quarto simples, com banheiro e cozinha coletivos, e no fim das contas estou muito satisfeita, pois não é tão ruim quanto parece!

O quarto em si é bastante confortável. Eu gosto da cor dos móveis e gosto dos moveis em si, já que sei que em alguns outros prédios as mesas e também a prateleira (por falta de uma palavra melhor no momento) são bem menores que essas que temos. Também não esperava ter um frigobar, já que o site não dizia nada a respeito, e ele é realmente muito útil. Sem um frigobar não poderia manter vários itens que pra mim são básicos, tipo leite. ;D Fui surpreendida positivamente!

Comparando com os quartos em que há banheiro individual, o móvel que temos é bem pequeno, mas dá pro gasto. Logo ao lado da porta tem um armário que deve ser na verdade o guarda roupa, mas ele é feito de madeira compactada e não tem um forro, então sai pedaços de madeira sabe? Eu jamais vou colocar minhas roupas ali, uso para as louças e produtos de limpeza.

Todos os dias, para não correr o risco de focar nos pontos negativos, gosto de prestar atenção nas coisas boas que tenho aqui no quarto, mesmo as mais banais. Bem, primeiramente, tenho um quarto! Além das coisas que já citei, a torneira da pia é daquelas que você vira pros lados para regular a temperatura da água, o que é muito mais prático que ter duas torneiras, uma quente e outra fria, já que eu nunca consigo deixar a água boa nesse tipo de torneira. É bobeira isso, mas acho legal. Estou também no último andar do prédio, então não fico ouvindo barulhos vindos do teto. E aliás, me desculpe vizinh@ de baixo, juro que não derrubo as coisas de propósito. Estar no último andar faz com que o corredor seja mais calmo, por que praticamente apenas os moradores desse corredor se dão o trabalho de subir as escadas. Tenho também uma vista bonita, e sei que não tem ninguém me observando quando estou sentada em minha mesa (daqui consigo ver as pessoas dos outros prédios do 2º e 3º andares, mesmo quando elas estão sentadas e “escondidas” atrás do vidro fosco. Enfim, são vários detalhes que gosto de lembrar para ver que estou num quarto muito bom.

Ou seja: se você está em Lyon, ou virá um dia: não se desespere caso não consiga um quarto com banheiro! Não é tão ruim quanto parece! No começo é chato, mas a gente se adapta!

Porém, como disse lá no começo, tem algumas coisas que são um pouco desagradáveis, mas com as quais temos que conviver. A que mais me incomoda é a falta de acessibilidade da residência, que fica num lugar bem alto. A única opção de transporte público para chegar aqui é o ônibus, que é com certeza o pior meio de transporte em Lyon. Os metros e tramways não demoram pra passar, mas os ônibus demoram cerca de 20 minutos para passar durante o dia e uma hora inteira durante a noite, além de saírem de circulação a meia noite. Para quem faz bastante farra (maioria das pessoas aqui, oi?) existe alguns madrugueiros, mas eles saem de alguns pontos específicos e também de hora em hora. Eu não faço farra e já sofro para voltar dos ensaios do coral 😦 Chá de cadeira no terminal (continuo chamando “estação” de “terminal”)!!! Ir daqui para o centro de bicicleta é uma boa opção, porém eu não sei andar de bicicleta e jamais arriscaria descer essa colina. Desastrada do jeito que sou, seria suicídio! Agora, voltar a pé ou de bike eu já acho MUITO empenho. Pra vocês terem uma noção, quando descemos daqui de ônibus, dá pra sentir a diferença de pressão no ouvido (eu sinto pelo menos). Acho isso uma loucura.

Tá vendo a Igreja lá em cima? Estou mais ou menos na mesma altura, mas acho que essa foto não é muito representativa (além de estar tremida). Nela não dá pra ver tanto assim como é longe. E ainda por cima, a subida é cheia de curvas, sempre fico com a impressão que vou cair do banco. O mais impressionante é ver os idosos sentados tranquilamente com cara de paisagem, como se aquilo não parecesse um passeio num parque de diversões.  Enfim. Apesar de achar a Allix muito bonita, e da região aqui ser muito charmosa, acho que vale a pena ficar numa outra residência menos fofa porém melhor localizada.

Especificamente sobre o tipo de prédio que estou, onde o banheiro e a cozinha são compartilhados, acho que é obvio para todos que ter que dividir esses ambientes não é a melhor coisa do mundo. Para quem vem pra cá e consegue um quarto com banheiro individual, ótimo, você se deu muito bem! Se você não topa ter que dividir banheiro e tem dinheiro pra pagar um studio pra você, maravilha também, money is the answer. Agora, se você tem dinheiro contado como eu, é bom rezar para ter vizinhos limpinhos.

E como é que funciona?

No meu prédio, as cozinhas são ruins. Ponto. Se quer temos uma mesa e temos que cortar os ingredientes no quarto, por que a pia tem aquelas ondulações que só servem pra atrapalhar. O microondas pelo menos funciona bem. EDIT: não, ele não funciona bem. Além de estar sempre sujo, agora toda vez que alguém usa ele demais, ficamos sem luz no banheiro. Maravilhoso.

Pia no seu estado padrão de sujeira, sempre com macarrão, pq sempre vai ter alguém comendo macarrão!

Perceba que não temos chuveiros. É só um cano mesmo.

O banheiro parece pequeno (4 wcs e 6 duchas) mas nunca aconteceu de eu ter que esperar pra usar e raramente tem duas pessoas tomando banho ao mesmo tempo. Durante a semana ele é limpo no período da manhã pela tia da limpeza que bota ordem no pedaço e briga com quem deixou o lixo do lado de fora no corredor. Nos fins de semana é que a coisa pode ficar russa, pois ela não vem limpar. Em cada wc tem uma daquelas escovas para limpeza do vaso, caso você tenha tido um bad day estomacal, e as pessoas que tem um pingo de respeito a usam, porém sabemos que não são todos. No final de semana passada não pudemos usar nosso banheiro no domingo, e todos ficaram revoltados. Muitos bilhetes foram colados pelas paredes mandando a pessoa… é. Se não me engano o dito cujo foi embora essa semana. Ou seja, isso depende muito dos seus vizinhos, e isso é completamente aleatório. Fácil acredito que nunca vai ser, por que as pessoas tem hábitos diferentes e tudo mais, mas até o momento, está ok (na maioria das vezes).

Ufa! Chega né?

Day by day

14 set

Estou devidamente instalada em meu próprio quarto. Ele é pequeno, mas para mim está ótimo. A cama, a mesa e a estante são pintadas com um “azul triste meio roxo” que é lindo e me dá muita vontade de comprar aquele  esmalte da MAC, o Blue India. Fiquei bem contente por ter um frigobar, o que me permite ter sempre leite e nescau aqui comigo, mas o melhor de tudo é mesmo ter um lugar só meu. Pra comemorar, hoje foi o dia da caverna: acordei meio dia e não saí daqui. Mentira, tive que dar alguns passos até o banheiro, que infelizmente é coletivo, assim como a cozinha, que até agora não usei. Aqui de dentro da minha caverna, até agora, não ouvi nenhuma palavra em francês, apenas em inglês e numa língua que suponho ser mandarim. Conversei um pouco com uma moça simpática da Turquia, que mora aqui há dois anos mas não fala francês. Vai entender.

Quando vim pela primeira vez aqui na Residência André Allix, ontem, peguei um ônibus e fiz uma pergunta ao motorista, em francês, claro. Ele riu e me respondeu num inglês bizarro. Ótimo, adoro falar inglês. Meu espírito auto-crítico-em -excesso me disse que essa reação era uma resposta ao meu francês de merda, mas depois me consolei pensando que não, ele só queria praticar seu inglês. E precisa mesmo, por que levei muitos segundos pra entender quando ele disse algo como “uelcomíiiiin”, que seria a forma francesa de pronunciar “welcome”.

Estou numa colina, ou seja lá qual é o nome geograficamente correto, mas o que importa é que a vista é bonita. A entrada da residência também merece destaque, uma super porta enorme e antiga. Fotos serão tiradas.

Tomar banho é um horror, não apenas aqui mas em todas as casa em que tomei banho desde que cheguei. Acredito que a razão seja cloro demais da conta, por que a pele está inteira ressecada, o cabelo um horror e até minha boca está descamando e doendo horrores. Banhos e mais banhos de creme parecem não surtir muito efeito, isso que eu passava dias sem usar cremes no Brasil. O chuveiro não pode simplesmente ser ligado-desligado, funciona como torneiras de shopping. Aperta, sai água. Para de sair água. Aperta de novo.

Na verdade, dizer “sai água” é uma forma delicada de descrever que cai o mundo de água na sua cabeça, com toda a força do mundo. Dae você se sente numa cachoeira, só que quente.

Enfim!

 

Pérouges – Cidade medieval

10 set

Iniciando a categoria “Viagens”!!!

No domingo dia 09, primeiro fim de semana na Europa, fiz um passeio à cidade medieval de Pérouges, bem pertinho aqui de Lyon. Minha companheira foi a Dani, que está me hospedando durante essa semana (mais gratidão eterna!). Estávamos planejando uma viagem de carro para Dijon, a cidade das famosas mostardas, junto com o casal que me hospedou semana passada, porém o aluguel do carro sairia muito caro.  Completamente de última hora, pesquisamos na internet as formas de chegar a Pérouges, e encontramos tarifas baratas para o trem. As fotos desse post foram tiradas por ela (Dani Damasceno).

Pérouges é uma minúscula cidade medieval, que foi conservada e também reformada, já que muitas coisas lá foram semi-destruídas. Por estar praticamente intacta, a cidade atrai turistas (como eu!) e também cineastas, tendo sido cenário para filmes como Os três mosqueteiros (não me pergunte qual deles). Para ir de Lyon até lá, basta comprar seu bilhete pela internet ou diretamente na estação Part Dieu. O valor dos bilhetes varia entre 5 e 15 euros, dependendo do horário e do tipo de tarifa (maior ou menos de 25 anos, etc). Não adianta ficar procurando “Pérouges” nessa hora, por que a estação obviamente não fica na cidade medieval, e sim em Meximieux, cidadezinha florida e cheirosa. Tempo de viagem de aproximadamente meia hora. A caminhada de Meximieux até Pérouges leva uns 15 minutos e é uma subida meio pesadinha. Nos achamos graças ao GPS da Dani, no qual eu não queria acreditar por que acho GPS uma coisa meio cabulosa, mas de qualquer forma, tem várias placas indicando o caminho.

Acabamos entrando por uma entrada que não é a principal, por que fizemos uma curva meio cedo demais. Ao andar pela cidade, descobrimos que a entrada principal é outra, bem mais pra cima. Mas é claro que isso não faz muita diferença!

A cidade é uma coisinha bem pequena. Ficamos das 11 até um pouco antes das seis da tarde, e foi tempo até demais. O dia estava extremamente quente, com cerca de 29 graus. JURO. Europa 40 graus tamo aí.

Devido ao calor excessivo, a única coisa que eu diria que achei ruim é que realmente não há lugares para sentar e descansar. Claro, a cidade é muito pequena MESMO, mas mesmo assim, depois de três horas girando por aí com aquele sol torrando a cabeça, dá vontade de sentar. Até tem uns bancos com sombra, no centro da cidade, mas comportam umas 5 pessoas. Acredito que isso possa ser difícil para pessoas mais velhas.

A parte central marcada por 12 é … o centro da cidade, claro! Lá nós temos atualmente restaurantes e lojas de lembranças, por que lá era o centro comercial da cidade. O comércio era a principal atividade deste lugar, em que moravam em sua maioria artesãos, e que nunca foi dominado por ninguém.

Os restaurantes servem algumas especialidades regionais, como carne de rã, e outros pratos que devem ser inspirados em coisas medievais – ou não. Eu pedi um prato que era uma fatia enorme de pão, como se fosse um barco, crocante e com azeite, com fatias de tomate, carpa e ovo cozido em cima. Era muito bom e tinha um ar meio medieval mesmo! Veio acompanhado de salada, por 12 euros. Mas o que não pode faltar, já que você só vai comer lá, é a Galette, espécie de pizza doce, muito gostosa, vendida por 1 euros ou mais a fatia:

Achei a Galette uma delícia e comi várias!

Uma coisa interessante sobre Pérouges é que a Igreja fica na entrada principal. Normalmente, as Igrejas das cidades medievais ficam no centro, demonstrando sua importância. Em Pérouges, como disse anteriormente, o centro é a área de comércio, que era a vida do lugar.

Enfim! Acho que qualquer pessoa que passe pela região de Lyon e tenha um dia livre deve visitar Pérouges! O lugar é inacreditável, parece mesmo um sonho. Espero poder ir lá quem sabe em um dia de semana, e torcer pra ter menos turistas e me sentir ainda mais dentro de um sonho só meu!

E se não bastasse o lugar lindo, ainda começa a tocar uma música mágica não se sabe de onde, até que encontramos sua origem!

Muito emocionante!!!!!

Enfim, é isso aí!

Coisas diferentes

6 set

Uma das coisas que eu achei mais esquisitas aqui em Lyon é que as pessoas sempre se cumprimentam na entrada dos prédios. Sempre pensei que na Europa as pessoas fossem curitibócas, mas vejo que não. Além disso, achei que em geral as pessoas se comunicam mais do que eu considero necessário (confesso que!).

Por exemplo: ontem fomos na IKEA, uma loja à la Tock Stock, que vende de tudo pra casa, móveis, decoração, louças, enfim. Por lá, comprei um edredom bem quentinho, um travesseiro, uma capa para o edredom e uma fronha. Como ainda não tenho meu próprio quarto, não comprei ainda tudo o que preciso e terei que dar mais uma passada por lá! Será divertido, por que além de vender tudo isso e ser GIGANTE, lá tem também um café-restaurante. Comi um wafer (que eu chamo de váfel) muito gostoso por 1 euro e por mais 98 cents tomei todo o café que eu queria, por que as bebidas quentes eram livres. Muito bom!

Tudo isso pra dizer que todas as vezes que tive que esperar alguém terminar de pegar seu café para repor minha xícara, a pessoa da frente se virava e dizia sorrindo: vas-y, ou seja: pode ir. Tipo, desnecessário né? Imagina se no RU lotado na hora do almoço a galera resolvesse perder segundos preciosos dizendo “pode ir” pra pessoa de trás a cada prato servido?!? hahahahahahahaha – brincadeira. Pra ser sincera, acho isso bem educado, mas principalmente simpático.

Ainda sobre a famosa não-simpatia dos franceses, devo dizer que até agora todo mundo tem sido bem simpático. E olha que hoje eu bem cara de pau parei um homem na rua pra perguntar o caminho certo! Segui a regra do “excusez-moi monsieur” e do “s’il vous plaît”, claro, e nossa, simpatia pura. Único problema foi que ele disse que não tinha certeza do local certo, mas que eu devia andar uns 200 metros. “Ah vá que eu sei quanto é 200 metros!!!!!” – pensei eu. Mas se duas quadras são 200 metros, ele estava certo. Cheguei no lugar que procurava e ele estava fechado. Às quatro da tarde. ¬¬

Voltando aos cumprimentos, aprendi nas aulas de francês que normalmente se diz Bonjour não importa a hora do dia. Pois aqui em Lyon não: depois do meio dia já é Bonsoir!! Sim, tipo: BOA NOITE??????????????????? Bizarrícimo. Me falaram Bonne Soirée (boa noite quando se vai embora) no banco e eu achei que a mulher estava louca, mas logo em seguida ouvi uns piás se dizendo o mesmo na rua. Depois me explicaram que isso é regional, e que realmente em Paris se diz sempre Bonjour. Mas por aqui o povo é tudo de la noche.

Outra coisa bem diferente é que aqui tem muito self-service, ou seja, coisas que você mesmo faz. Na IKEA que disse ali em cima, como tinha poucos itens, não passei por nenhum atendente de caixa. Você mesmo passa os produtos no leitor de código de barras e paga. Tem isso em todo lugar! Até pra imprimir e tirar cópias. Você compra um cartão no balcão de entrada da gráfica, que te dá número X de créditos. Vai lá na máquina, imprime, copia, encaderna, tudo sozinho. Hoje eu até gastei 2 créditos à toa por que não colocava o papel no lugar certo na máquina de xerox. Fail. Enfim, vivendo e aprendendo né?

E como eu sei que tem gente louca por umas fotos, vou postar aqui a vista da varanda do apartamento em que estou hospedada (gratidão eterna), mesmo sabendo que são fotos bem sem graça. Prometo que vou tirar fotos dos lugares decentes logo! É que não gosto de ficar parecendo turista na rua.

Viram o rio ali no fundo? Le Rhône!

Sou do Recife.

6 set

Fui fazer minha inscrição hoje de manhã na Universidade Lyon 2 , fiquei numa fila enorme e me disseram que estava faltando um documento. Esse documento já havia me sido enviado, mas quando perguntei à secretaria do meu Master o que eu deveria fazer com aquilo, me informaram de que deveria ignorá-lo e fazer tudo pessoalmente aqui, logo achei que ele não era necessário. Chegando em “casa” fiquei olhando pra dita cuja da “Autorização de inscrição” e me toquei que está escrito:

Pays: Brésil. Université: Universidade Federeal de Pernambuco- Recife.

(…) momento de reflexão. (…)

 
Eu adoro Recife mesmo sem conhece-la e minha maior indignação é não poder ir no show do Evanescence que terá lá em outubro (chora), mas não, eu não estudo em Recife não minha gente. De onde tiraram isso?

Esse já é o segundo documento que me enviam com erros: o primeiro foi minha declaração de bolsa, que diz que eu vou ganhar 9.400,00 euros, o que infelizmente não é verdade.

Então olha só: os franceses também erram! Todos demonstram choque e dizem OOOOOOOOOOOOOOOO nesse momento. haha.

Cheguei em Lyon

3 set

Estoy aquí, quierendo te.
Cheguei bem e consegui um excelente abrigo. Andei por algumas quadras de Vieux Lyon, que parece mesmo uma coisa de outro mundo. Comprovei que os rios estão lá mesmo, numa cor esverdeada à la piscina em Amélie Poulain. Comi pratos típicos e comprevei que realmente se usa menos sal, mas que a comida fica ainda melhor assim. Provei também que a Coca-Cola não é apenas menos açucarada, mas também tem menos curvas. Gostei da experiência e acho que isso tudo deve mesmo ser lindo, mas será que não dá pra me levar de volta pra casa?