Arquivo | outubro, 2012

Paris – 3º dia

30 out

Hoje novamente foi um dia tranquilo, com poucos passeios turísticos, já que passamos a manhã trabalhando. Na hora do almoço, fomos ao restaurante universitário, que estava uma bagunça e tinha frango e batata frita. Por sorte não me pediram minha carteirinha e eu passei fazendo cara de “sou estudante da Sorbonne sim, duvida?“. Logo em seguida começamos a andar em direção ao Musée d’Orsay, que é o mais importante depois do Louvre. Meus planos era ir a este museu pelo menos um pouco, depois passar na Place des Invalides e quando estivesse anoitecendo ir na Torre Eiffel.

Claro que nada saiu como planejado. 🙂

No caminho encontrei a Igreja Saint Germain de Prés e resolvi entrar nela, por que nunca me canso de igrejas. Achei essa especialmente interessante. Assim como a igreja logo em frente à minha residência, esta data dos tempos romanos, tendo sido parcialmente destruída e reconstruída em diversos períodos. Não gosto muito de tirar fotos dentro das igrejas (muitas vezes nem é permitido), mas gosto de chegar perto de tudo o que dá e ainda tenho que passar a mão! hahaha Acho curioso que a maioria das pessoas observe tudo de longe, sendo que tem tanta coisa que dá até pra encostar. Nessa igreja, por exemplo, tinha uma espécie de armário bem pequeno (por falta de palavra melhor) e parecia muito que dava para abrir sua porta. Eu tive que me controlar pra não tentar, e o que me motivou a isso foi imaginar que ia ter um crânio lá dentro. Acho que se algum restaurador me vir encostado nas coisas ficaria louco, mas tudo bem.

Vou ficar aqui deitadão

Depois seguimos andando e em menos de 10 minutos chegamos ao Musée d’Orsay. Como era de se esperar, as filas eram gigantes. Apesar de ser óbvio, eu tinha esquecido de pensar nisso, então acabei desistindo de ir lá pelo menos por hoje. Tenho que pesquisar quanto tempo mais ou menos se espera na fila para pensar se vou mesmo tentar entrar lá, já que não sou nada entendida de arte. De qualquer forma, achei as estátuas que ficam lá fora muito legais e a arquitetura do museu em si é muito bonita.

Ein Pferd

Ein Elefant

Uma mulher que representa a América do Sul und ich

Eu imitando a pose da mulher da África e da América do Norte.

Europa, Ásia e Oceania não ganharam fotinhos, assim como o rinoceronte. O curioso é que só a África e a América do Sul são representadas cercadas de comida!

Apesar de não ter entrado no museu, se eu quisesse seguir meus planos iniciais iria visitar a Place des Invalides, mas eu vi um prédio enorme do outro lado do rio Senna que só podia ser alguma coisa importante. Perguntei pra uma pessoa qualquer e descobri que era o Louvre, que parecia muito mais longe no mapa. Logo chegou um cara se oferecendo para nos levar até lá por 10 euros, mas nós dissemos “non, merci, on peut marcher”. Demoramos uns bons 30 minutos pra chegar lá, mas só por que ficamos parando pra tirar fotos, por que o caminho deve dar 10 minutos. Então, ande!!! (obs: até hoje estou andando por aí sem mapa nas mãos, não tenho acesso à internet no telefone e só uso o que lembro do google maps e o que anotei. É uma coisa retardada, eu sei, mas hoje reparei que estou ficando mais atenta a tudo e com o senso de direção um pouco melhor, já que eu achei a rua da universidade do Roberto e ele não. Ele, aliás, jurava que não era aquela rua. haha)

Nesse caminho, paramos para observar o Senna e uma mulher nos abordou nos mostrando uma aliança, perguntando se era nossa. Dissemos que não mas mesmo assim ela nos entregou o anel dizendo que sua religião não permite usar bijuterias. Ela foi embora mas em segundos voltou pedindo dinheiro pra tomar um café. Ficamos naquela situação de sempre e o Roberto a deu 1 euro, mas ela continuou pedindo mais por que o café custa 2 euros. Nessa hora ela ficou muito perto de mim e aí eu me toquei que devia ser um desses golpes para nos furtar, e segurei minha bolsa com toda a força perto de mim. Conseguímos fazê-la desistir e finalmente ir embora. Seguimos em frente mas ainda ficamos nos bobiando pela ponte por um tempo.

Acho que o Senna é um pouco maior que o Rhone

Só atravessar a ponte e já é o Louvre. Tudo muito grande. Só reconheci mesmo o lugar quando chegamos bem no meio e vi essa parte aqui:

Nessa hora fiquei tipo WOW.

Realmente, é um lugar muito grande e muito bonito. Pura alegria! Como dá pra ver pela foto, tinha bastante gente lá, mesmo que nas terças-feiras o museu fique fechado. Fiquei muito encantada e contente por ver aquilo pessoalmente. Ficamos um tempo lá tirando fotos e admirando a paisagem, quando começamos a nos perguntar por que não conseguíamos ver a torre, até que dei uns passos pro lado e a vi toda discreta ali atrás:

Então mais uma vez eu vi o topo do torre Eiffel, mas apenas o topo 😉

O clima estava frio, cerca de 10ºC, com bastante vento e sem sol. A cidade estava realmente bem cinzenta e eu achei isso bonito. As árvores estão variando entre verde, vermelho e sem folhas, como dá pra ver nessa foto aí em cima. Mais algumas fotos:

Continuamos seguindo em frente, sem nos preocupar com o Jardin de Tuileries que fica pro outro lado, por que afinal vou lá amanhã de novo. (por favor, não chova!!!!) Basicamente, tudo ali é muito impressionante. A construção é muito bonita e cheia de detalhes. Quando estávamos saindo, duas moças nos abordaram sem dizer nada, nos mostrando um abaixo-assinado pelos surdo-mudos. Quando viram que falamos português, uma delas começou a falar espanhol, o que foi muito estranho, já que até então achávamos que ela era muda! Mais uma vez sofremos para fugir. Acho que qualquer lugar turístico vai ter dessas coisas, o jeito é ignorar e nem se quer parar pra ouvir. Se você conseguir, claro, por que eles simplesmente se jogam em cima da gente.

Atrás do museu tinha mais uma igreja que eu fiz questão de visitar, para desespero do Roberto. Essa já não me impressionou tanto e não achei o nome dela, sei apenas que fica atrás do Louvre. Na pracinha em frente, tem um jardim simpático e algumas esculturas mais pop:

Então, tivemos que voltar pra casa sem ver a torre mais uma vez. No caminho passamos pela Pont des Arts, da qual nunca tinha ouvido falar. Ela é muito interessante, por que está cheia de cadeados. Os casais escrevem seus nomes num cadeado e o colocam lá.

Além disso, é ali que o Senna se divide em duas partes e tinha muitos barcos por lá:

Engraçado que o Senna é um rio grandão que se separa só num pedacinho, enquanto lá em Lyon é o contrário: tem a confluence, quando os dois rios são um só e logo eles se dividem em Rhône e Sâone, percorrendo a cidade.

Encontramos pelo caminho, sem querer, a escola de Belas Artes, que é muito interessante por ser muito decadente. Lá em Lyon a Beaux Arts é toda arrumadinha, mas aqui ela está quase em ruínas. Passando pelo pátio dá pra ver que aquele lugar já foi uma igreja em tempos anteriores, por exemplo. O jardim é bem pequeno e rodeado de estátuas quebradas. Nem preciso dizer que achei muito legal. Por dentro (nas poucas partes que andei), tudo sujo e pixado. Não sou a favor de sujeira nem de vandalismo, mas devo dizer que o clima lá é bem diferente justamente por isso.

O famoso M. Chat

Voltamos exatamente para a igreja que visitamos no começo da tarde, onde eu comi um Gauffre com nutella, que nada mais é que um waffer grandão (3,30) com o qual você se meleca todo enquanto come. Uma delícia! Reparei também nisso aqui:

A previsão é de chuva então Brace yourselves!!!!!!

Apenas luzes

Pegamos o metrô, fomos embora e  enfim é isso! Ainda estou com a sensação de que muito tempo está sendo perdido, mas eu tenho mais uma semana e Paris é bem pequena, então acho que no fim vai dar tudo certo.

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Paris – 2º dia

29 out

ou seria 1º dia? Não sei!

Ontem fomos dormir lá por meia noite e acordamos cedo. Meus planos eram de acordar 8 e meia mas é claro que acordei uma hora mais tarde. Metade de mim pensava  “Você está em Paris, não é pra dormir!!!!” e a outra “Só mais 5 minutos!!!!!!”, sabe como é. De manhã, ajudei o Roberto com uma tradução e depois fizemos o plano para o passeio do dia.

Como vou ficar por 8 dias, não estou com aquela pressa de ver tudo de uma vez só e vou aproveitar para conhecer a cidade por partes. O ticket de transporte de Paris não é válido para todos os meios de transporte, ou seja, se você validou um ticket num ônibus, só poderá usá-l0 novamente em outro ônibus, e não no metrô, e isso não é nada econômico. Além do quesito economia, me manter numa determinada região em cada dia faz com que eu ande mais a pé e veja muito mais coisas, o que é muito mais interessante do que conhecer todas as estações de metrô, por exemplo (que não é o objetivo de ninguém, certo?). Como hoje é segunda-feria, a grande maioria dos museus está fechada e por isso escolhi um roteiro que não incluía museu nenhum.

Então hoje escolhemos ir no quartier Montmartre, famoso por ser o bairro do filme O fabuloso destino de Amélie Poulain. Todo mundo que estuda francês já viu esse filme, e mesmo tendo apenas 1 ano de experiência como professora já o utilizei para dar aulas. Aquela parte inicial parece ter sido escrita pensando no nível 1 de francês língua estrangeira! Alguns amam o filme, outros o odeiam e eu já passei pelas duas fases. Hoje em dia o considero um bom filme que já vi mil vezes e tem partes excelentes para usar em sala de aula, apenas. Brincadeira, eu gosto dele sim. Então não pude deixar de visitar o café em que a protagonista trabalha, o Café des 2 moulains!

 Efeito esverdeado pra parecer mais com a película! 

Fiquei surpresa que a rua é uma descida, e nunca tinha reparado nisso no filme. Não chegamos a entrar no café, mas pelas janelas dá pra ver direitinho que é o mesmo do filme, também com várias caricaturas da Amélie. Descemos na estação Abesse do metrô 12 e andamos pouco para chegar ali. Enquanto olhávamos o mapa, um homem se ofereceu para nos ajudar. Quem diria que um parisiense seria simpático assim com turistas hein?

Descendo essa mesma rua (rue Lepic), logo encontramos o famoso cabaret Moulin Rouge. Muitos turistas estavam lá e durante o dia as fotos não ficaram muito boas, então voltamos lá quando já estava escuro, já que era perto do metrô para voltar pra casa mesmo.

Eu com sorriso retardado e mais efeito esverdeado pq afinal é Montmartre

Depois disso, fomos a pé até a Basilique Sacré Coeur de Montmartre, que também aparece no filme, quando Amélie marca um encontro com o piá para devolvê-lo o álbum de fotos (mas não tem coragem de falar com ele pessoalmente!). Para chegar lá existe a opção funiculaire, mas a subida não é cansativa e vale muito a pena ir caminhando. As ruas para chegar até lá pela quais passamos eram bem charmosas, com muitos turistas, restaurantes e vista para a parte baixa da cidade.

Um exemplo de fofura não exatamente turística

Chegamos na basílica quando já estava escurecendo, já que não estamos mais no horário de verão e saímos de casa meio tarde. Muitos turistas por lá mas não estava lotado de gente do tipo que não dá pra ver nada. Um casal de cariocas nos pediu pra tirar uma foto deles e ouvi muitos idiomas que nem reconheci. Nas escadarias logo em frente à basílica, uma dupla cantava e tocava violão músicas do Bob Marley, o que eu achei muito legal e dava um clima bem diferente pro lugar (nada de gaitas). A basílica é bem legal! Bem grandona e cheia de detalhes. Não é permitido tirar fotos do interior e quando entramos estava tendo alguma celebração, com freiras cantando. Gostei muito e achei muito bom visitar o interior enquanto elas cantavam.

Assim como a basílica lá de Lyon, pertinho da minha casa (Fouvrière), essa não é o tipo de Igreja que me deixa emocionada, do tipo ai vou morrer de emoção, meu coração gótheko chora lágrimas de puro amor mas olha, o lugar é digno. De lá se tem uma ótima vista da cidade. Só que não dá pra ver a Tour Eiffel, então continuo sem ter visto essa belezura (apenas uma parte dela, ontem).

Como disse antes, retornamos ao Moulain Rouge só pra tirar fotos com os neons. Lembrei especialmente de minha tia Paula e meu tio Igor, que pediu de souvenir um pedaço de uma calcinha de uma dançarina de cabaret. Infelizmente, fica pra próxima! 😀 Descemos a pé e estava bem friozinho, senti falta de um par de luvas, isso que ainda é outono! Brace yourselves!

descendo da basílica

Para matar a fome fomes numa lanchonete árabe, desses que vende Kebab. Isso tem aos montes em Lyon (imagino que na França inteira), mas nunca tinha comido antes. Escolhi a versão sandwish (a outra é no prato, tipo sandwish aberto) e gostei! Tive um momento hipster e tirei uma foto, por que achei a “apresentação do prato” curiosa, com as batatas, maionese e ketchup jogadas na bandeja:

Vale dizer que só decidimos entrar lá por que o cara nos abordou oferecendo o cardápio enquanto nós estávamos parados na frente pensando se entrávamos lá ou não. Tem que saber conquistar o cliente né! Eu achei bem TRU comer numa lanchonete dessas bem tosqueiras, à la pastelaria de xing-ling, ao invés de ir num café chique, como se espera de uma viagem à capital da finesse.

E aí acabou nosso passeio por Montmartre. Achei uma pena eu não ter ido no Espace Dalí, museu dedicado à arte surrealista, mas a entrada é 6 euros, poxa. (valor para estudantes)

Agora chega de escrever. Vou planejar o dia de amanhã, que deverá ser mais comprido!

Paris – Viagem e 1º noite

29 out

Indo um pouco contra meus planos iniciais, minha primeira viagem de verdade acabou sendo para Paris. Não digo isso como se fosse uma coisa ruim (ai que droga, tenho que ir pra Paris #chateada). A questão é que nunca fui muito interessada na capital francesa, nunca morri de amores por ela. Curiosidade para conhecê-la, claro. Mas visitar Paris não era exatamente meu primeiro destino must-do. Não sei explicar muito bem por que acabei vindo pra cá, mas vim, e com borboletas no estômago! Acho que é por que Paris sabe encantar as pessoas, mesmo as mais relutantes.

Comecei a planejar a viagem na última semana de setembro e, naquela época conseguiria comprar as passagens de trem por 30 euros cada, utilizando a carta SNCF 12-25 anos, que dá até 60% de desconto. Infelizmente a lei de murphy resolveu agir em minha vida, fazendo com que minha bolsa não fosse depositada logo no dia 1º de outubro. No dia em que finalmente a recebi, as passagens já estavam custando o dobro! Muita tristeza no coração. A solução foi o site covoiturage.fr, onde as pessoas oferecem carona por preços menores que os bilhetes de trem. No fim, paguei 30 euros em cada trajeto, mas de carro demora o dobro do tempo. Ou seja, vale muito a pena comprar os bilhetes de trem com antecedência. O que a carona tem de legal é conversar um pouco com franceses, o que é meio raro para nós estudantes. O mais comum é passar muito tempo com outros estrangeiros, então toda oportunidade de falar com franceses é  válida.

Minha vinda pra Paris, que foi hoje, foi muito calma. O casal dono do carro era muito simpático, o motorista era muito bom, e a outra moça que estava de “carona” também era simpática. Às vezes eu não entendia nada do que eles falavam, por que franceses têm essa mania de falar muito baixo. O problema é mais pra escutar do que pra entender. Me fizeram as perguntas clássicas sobre times de futebol, as quais não soube responder satisfatoriamente. No mais, dormi metade do trajeto.

Chegando aqui, me deixaram numa estação de metrô e eu tive um pouco de dificuldade para encontrar meu amigo Roberto, na casa de quem estou hospedada, mas no fim tudo deu certo. Enquanto o esperava não resisti e fui no Mac Donalds (shame on me), por que além de estar morta de fome, o frio estava tenso. Por sorte, não tão tenso quanto Lyon! Tive que ligar mil vezes pro Roberto para conseguirmos nos encontrar, e ele estava usando o celular super tecnológico da senhora que aluga um quarto da casa pra ele, e assim como eu, ele não se dá muito bem com tanta tecnologia, então ele desligava na minha cara ao invés de me atender! Foi complicado! Quando finalmente ele conseguiu me atender (vitória!!!), tinha alguém tocando La vie en Rose na sanfona dentro do metro, e eu não consegui entender nada do que ele falava. Coisas da França.

Finalmente nos encontramos e viemos até o apartamento em que ele mora com uma senhora francesa. Ela é professora de francês e é uma senhora cheia de estilo! Muito simpática comigo, uma graça de pessoa, fazendo de tudo para que eu fique confortável. Mesmo depois do Big Mac ainda tive fome pra comer a janta que o Roberto fez, que por sinal estava muito boa! (sem comentários sobre minha fome, por favor)

Por enquanto a única coisa legal que vi foi o topo da torre Eiffel toda cintilante, enquanto ainda estava no carro. Muito bonito!  Já as partes da cidade que eu vi não são lá grande chose, até por que só vi bairros afastados. As linhas de metro que eu peguei devem ter uns 100 anos e são super sujas. Sério que Lyon humilha! Sem contar que em Lyon eu moro numa região super charmosa. Amanhã eu e o Roberto vamos turistear e tirar muitas fotos, até por que ele está aqui há mais de um mês e ainda não visitou quase nenhum ponto turístico! Acho que estou preparada para enfrentar o frio e que vou ficar chocada em ver pessoalmente os lugares que sempre vejo em fotos.

Enfim!