Arquivo | julho, 2013

Voltar a Curitiba e coisas cinzas – é bom e é ruim, é ruim e é bom.

17 jul

Afinal, até a uva passa.

Cheguei em Curitiba há 3 semanas e não faço ideia de qual seria a melhor palavra a usar para descrever como as coisas estão, como me senti, o que pensei.

É muito curiosa a sensação que tive tanto quanto estava indo para Lyon quanto na volta, como se não estivesse vivendo nada daquilo. Também não sei dizer em que momento essa sensação passou, nem como, e na verdade não estou tão certa de que ela se quer tenha realmente passado em algum momento. Talvez desde o começo eu me sinta da mesma forma.

Para ser sincera, eu imaginava que a volta seria mais difícil. De certa forma, eu estava ansiosa e pronta para terminar a vida quase de brincadeira que estava tendo. Estava sendo muito, muito feliz, mas já estava um pouco cansada da minha falta de produtividade. Como eu não tinha aulas e nem dinheiro para viajar, passei dois meses quase inteiros sem ter o que fazer, o que é obviamente agradável mas se tornou um pouco chato, levando em conta que durante 7 meses eu já não tinha feito muito. Claramente, a responsabilidade pelo certo tédio que sentia é toda minha, que não mexi um dedo para mudar a situação. Pelo contrário, decidi que, oras, não é sempre que se tem a chance de não fazer nada, certo? Me deixei levar, então, por esse nada fazer, que me agradava mas que durou o quanto tinha que durar – até que já não queria mais.

Estava também cansada da constante consciência do fim. Essa consciência- entender que as coisas não são eternas, e nem tem que ser- foi provavelmente o maior aprendizado que tive nesse intercâmbio. Meu posicionamento em relação a muitas coisas mudou por causa disso. Mas os últimos meses em Lyon tiveram, de certa forma, ares de “últimos dias de um condenado”. Claro, estou exagerando, e como sempre as coisas parecem muito piores do que realmente foram. Não foi ruim. Foi maravilhoso. Mas um pouco angustiante.

Era difícil fazer planos, pois eles envolveriam necessariamente o fim daquilo que estava vivendo e não queria perder.

As primeiras semanas aqui foram definitivamente o momento em que todos os medos e confusões explodiram. Esse foi o lado mais difícil e eu confesso que fiquei surpresa. Por que sofrer com algo que já era previsto? Eu já não devia estar pronta? Pois não estava. E assim como eu escolhi me deixar levar pelo ócio, me dei o direito de sofrer tudo o que tinha que sofrer e lamentar todas as minhas dores. Um excelente professor de literatura sempre me vem à mente, nos fazendo ler Freud e nos dizendo que temos que nos dar o tempo do luto.

Ai, quanto xororô, quantas xurumelas!!!!!!

Blábláblá, ó como sofro, ó meu queijo roquefort, ó meu vinho barato e barras de chocolate Milka….

Felizmente, quando nos damos tempo para sentir livremente tudo aquilo que temos que sentir, chega um momento que o sentimento acaba e você precisa de um novo. Com sorte esse novo vai ser bom, e normalmente é e se não for você vira a tia má, solitária e sem coração daquelas histórias. 

slowly unravels

Agora falando de coisas boas, Curitiba está me surpreendendo positivamente. Por algum motivo desconhecido, estou com um sentimento de que as coisas irão melhorar para mim e minha família. As pessoas estão me parecendo bem menos piores do que antes – apesar de que minha curitibanice não permite que eu diga que elas estão “melhores”, haha. As ruas me parecem limpas e os ônibus mais eficientes. Se é realidade ou só positividade da minha parte, não sei. Mas como dizem, recebemos de volta aquilo que damos ao mundo, e eu estou tentando dar sempre o meu melhor.

É isso.

(ainda não tenho coragem de escrever sobre as pessoas que conheci e que amo tanto. Só pra não parecer muito ingrata e insensível.)

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