Venezuela for dummies – o que você precisa saber antes de viajar

16 mar

Sei que a Venezuela não é exatamente o destino número 1 na lista de desejos da maioria das pessoas. Na verdade, é mais provável que ela não figure sequer no top 20. Isso é uma lástima, já que o país tem atrações lindíssimas, com grande destaque para suas praias caribenhas, o monte Roraima e o Salto Ángel, a catarata mais alta do mundo. Além disso, é possível encontrar passeios para todos os gostos, sendo possível sair da praia na lha de Los Roques e ir para Mérida aproveitar a neve e a vista dos Andes.

Salto Ángel

Apesar de poucos conhecerem as razões para conhecer a Venezuela, muitos estão conscientes dos motivos pelos quais não vir para cá, sendo a violência, sem dúvida, o maior entre eles. Obviamente, é preciso estar consciente e bem preparado. É comum nos sentirmos relaxados durante viagens, esquecendo de tomar cuidado dos nossos pertences, principalmente em locais muito turísticos, quando estamos entretidos em tirar fotos. É por isso que muitos são roubados em viagens à Europa, mesmo ela sendo mais segura que o Brasil. No caso de países com alto índice de criminalidade então, a atenção deve estar sempre redobrada.

Isso, porém, não é nenhuma exclusividade daqui. A coisa sobre a qual eu considero mais importante saber e que é, esta sim, uma peculiaridade venezuelana, é o Câmbio negro. 

E o que é isso? 

O governo venezuelano tem controle das divisas e, por isso, não se pode comprar moedas estrangeiras a qualquer momento, nem em quantidade livre. Tanto para compras online quanto para viagens internacionais, existem sistemas de controle e de autorização para compra de outras moedas. O valor pago pelos venezuelanos através desse sistema é bastante justo – nesse momento, o dólar está cerca de 6 bolívares, sendo que em reais é cerca de 3 –  porém, devido ao limite de compra (nem um pouco democrático, diga-se de passagem), o que acontece é que existe um mercado paralelo de compra e venda. Como o bolívar não é uma moeda estável, o preço do dólar tende a estar sempre subindo e, por isso, os venezuelanos são obcecados por ter dólares e guardá-los para quando precisar.

dólares, dólares

E o que isso significa para um turista em potencial? 

Significa que seu dinheiro (dólares ou euros – ninguém se interessa em ter reais) se multiplicará e multiplicará de acordo com o mercado paralelo. No caso, um dólar agora vale uns 80 bolívares, enquanto um euro vale 110. É claro que para nós, que ganhamos em reais, o lucro não é tão grande, mas ainda assim acaba custando menos que uma viagem dentro do Brasil. Há pacotes para Margarita, por exemplo, que incluem ida e volta de Caracas, hospedagem com comida e bebidas à vontade por menos de 1000 bolívares o dia, ou seja, menos de 40 reais.

Parece ótimo!!! Vamos então ver quais são os contras:

Como trocar meus dólares no mercado paralelo? 

Me parece no mínimo estranho sair perguntando por aí  “E aí, quer comprar uns dólares?!?”, mas é assim mesmo. Em qualquer lugar se encontra cambistas. O problema é que pode ser que você acabe vendendo sem saber o valor exato do bolívar naquele momento, e saia no prejuízo. Além do risco de mostrar todo seu dinheiro assim para um desconhecido, num país com taxas alarmantes de criminalidade. Por isso,  o melhor, para quem pode, é já ter seus contatos prévios – do tipo “o primo do amigo do meu vizinho conhece alguém” – e conferir os preços no dolartoday.com  Quem não tem conhecidos terá que trocar com cambistas mesmo, e torcer para não esbarrar em nenhum mal intencionado.

Posso usar cartões de crédito ou travel cards? 

Em princípio sim, mas na verdade, não. Se você usar algum cartão, estará necessariamente pagando pelo câmbio oficial, e seu prejuízo será enorme. Como dito anteriormente, oficialmente 1 dólar é apenas uns 6 bolívares e aí, meu amigo, você será pobre, bem pobre, pois as coisas aqui são caras (40 bolívares um pão, 300 uma garrafa de rum). Mas, de qualquer forma, até onde me consta, os cartões internacionais simplesmente não funcionam direito, e eu imagino que isso se deva ao controle de compra e venda feito pelo governo, que impede o câmbio automático da sua moeda para bolívares. Então, é necessário trazer todo o dinheiro em cash, o que é obviamente péssimo e muito perigoso.

E como saber quanto dinheiro trocar? 

Isso varia do estilo da sua viagem mas o certo é que não se deve trocar todo seu dinheiro já no primeiro momento, pois se sobrar, será prejuízo. Ou não, você sai gastando mesmo, ostentando e agregando valor, afinal:

Eu sou rica! Rica!

A segunda informação, ou conselho, mais relevante para quem vem à Venezuela é Tome cuidado com os taxistas. Isso não significa apenas que eles irão te dar informações erradas, para que você pense que não conseguirá chegar à pé a um determinado local. O que acontece é que aqui há os táxis do bem e os táxis do mal, vamos dizer assim.

Whaaaaaaat?

É sabido de todos os venezuelanos que não se entra em qualquer táxi. Eu sinceramente não quero nem imaginar o porquê. Não gosto de imaginar coisas ruins e me limito a apenas acreditar que não se entra em qualquer táxi. É necessário sempre chamar uma empresa por telefone e esperar que te busquem. A informação sobre quais empresas ligar pode ser passada aos turistas nos hotéis. No caso do aeroporto, a coisa é ainda mais bizarra: existem os táxis oficiais – os do bem – e os extra oficiais, que são os do mal. Há vários relatos (como este) que contam que taxistas não licenciados frequentemente colocam os clientes para fora do caro em movimento e assim roubam toda sua bagagem, ou levam os clientes até o local onde se encontram os ladrões de verdade, e aí as chances de haver armas de fogo são muitas. O mais esquisito é que os motoristas não autorizados tem acesso livre ao salão de desembarque, sendo os primeiros a abordar aqueles que acabam de chegar, quase sempre desinformados. Isso aconteceu comigo, pois tive que esperar cerca de 5 minutos pelo motorista encarregado (que veio segurando uma placa com o nome do meu local de trabalho) e isso foi tempo suficiente para eu ter que me livrar de dois taxistas, que insistiam para que eu fosse com eles. Imagino que qualquer pessoa desinformada iria supor simplesmente que se trata de taxistas normais, e que esse tipo de abordagem é comum por aqui. Porém, os taxistas “de verdade”, aqueles que são licenciados, esperam em fila na parte de fora do aeroporto. É lá que todo turista deve ir. Para informações mais específicas sobre isso, ver o link logo acima.

Nas ruas, é também comum essa abordagem de taxistas. Já me aconteceu de estar esperando num ponto de ônibus, novamente por um período muito curto de tempo (menos de 10 minutos), e ser abordada por vários motoristas, que são bastante insistentes, e isso é bem chato. Além disso, a situação dos carros aqui é trágica. Sério. Não tem nenhum tipo de uniformização, nem de modelo nem de cor, e geralmente eles não tem cinto de segurança nos bancos traseiros. O que mais se vê são carros no estado de lata velha mesmo. A velocidade com que dirigem é assustadora, além do trânsito por si só ser caótico. E isso eu estou falando dos táxis do bem. Então, pegar um táxi aqui, pelo menos em Caracas, é sempre uma emoção.

Foto que representa bem a realidade da coisa.

E pra fechar com chave de ouro o assunto, simplesmente não existe taxímetro, então você tem que negociar o preço até seu destino final antes de embarcar. O sotaque estrangeiro deve ser uma grande razão para uma inflação súbita do valor, eu imagino.

É isso.

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3 Respostas to “Venezuela for dummies – o que você precisa saber antes de viajar”

  1. Maria Thereza M.A. 16 de março de 2014 às 8:20 PM #

    Oi guria! super adorei as dicas, não sabia que nada disso existia na Venezuela! vou ter isso em mente no dia em que for pra lá 🙂
    beijos!

    • stehzero 17 de março de 2014 às 3:32 AM #

      Obrigada Tetê! Venha logo e assim podemos ir à praia! Me gusta.

Trackbacks/Pingbacks

  1. Praias venezuelanas: o sistema de aluguel | My Balloon - 16 de junho de 2014

    […] Por um lado, é ótimo! Afinal, além de haver um custo alto na compra desses equipamentos, é bem chato ter que ficar carregando tudo para cima e para baixo. Por outro, você fica dependente dos preços estipulados pelos “alugadores”, que muitas vezes é completamente absurdo. Um turista pode não ter muita noção dos preços comumente praticados e acabar pagando muito mais do que a coisa realmente vale. Porém, como sempre digo, nada é realmente caro para um turista que troca dólares no mercado paralelo. […]

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