Arquivo | abril, 2014

Aprender espanhol na Venezuela

22 abr

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Como todos sabem, a língua espanhola varia muito em cada região. Quando se escolhe um país para ir estudar o idioma, também se está escolhendo uma de suas variações. Isso tudo sem levar em conta as variações dentro de cada país, e nem vamos pensar em todas as variantes existentes ! Como já diz a canção:

Que difícil es hablar el español!  Si lo aprendes, no te muevas de región! 

E como é que as pessoas falam aqui?

Chévere. Aqui as coisas não são boas, são chévere. Hola, como estás? Chévere. Segundo a Wikipedia, a palavra veio de um idioma da Nigéria e foi introduzida em Cuba, sendo difundida no mundo latino através das canções cubanas. Os venezuelanos, porém, tomam o termo como sendo 100% nacional, e é certo que aqui ele é super utilizado cotidianamente há muitos anos. Hoje em dia, já se escuta também na Colômbia e no Peru, e sabe-se lá onde mais. Lembro-me de ter conversado com um cara de Bogotá num vôo Berlin-Lyon e dele descrever tudo na Alemanha como chévere.

Uma coisa que não é exclusiva daqui, mas que eu acho muito bizarra, é a utilização dos termos mami e papi. Eu achava que seria uma coisa mais entre casais (fiz essa dedução pelas músicas do Pitbull, haha) mas as pessoas usam ela no dia a dia para se dirigir a uma outra pessoa. Então, você pode ouvir alguém dizer Cómo estas mami?. Mas me parece que pode haver uma distinção social para o uso dos termos. Muitos me disseram que isso é horrível e que não usam jamais. Achei também curioso que ontem mesmo ouvi um frentista dizer a um motorista Dale papi, o que eu achei estranhíssimo, pois até então nunca tinha visto homens se falarem assim. Já quando a palavra é dirigida a crianças, acho que não há tanto preconceito.

Mas, para mim, a característica mais marcante do espanhol venezuelano é a não pronunciação do S. Ou seja, em palavras como hospital, dizem apenas hopital. Caracas é dito quase sempre Caraca. Em outros momentos, além de não pronunciar o S, também se pode produzir um som aspirado em seu lugar. Não vou sair afirmando, mas essa aspiração soa como o CH alemão como em nacht. Ouço isso no meio de palavras como este, mas nunca no fim de palavras. Muitos dizem que isso é coisa de pessoas sem escolarização, mas não é verdade. Todas as classes sociais produzem o mesmo fenômeno, basta ver um pouco de televisão para ver. Porém, existe muita variação pessoal: alguns nunca pronunciam nada, mas a maioria das pessoas produz as duas opções, dependendo da palavra (só não fiz uma descrição linguística disso ainda,para ver qual a lógica por trás. Aliás, nem vou fazer. Hahaha!) Isso acaba sendo uma dificuldade para eles ao aprender outro idioma, já que eles pensam que estão pronunciado o S quando, na verdade,  estão fazendo esse som aspirado, ou som nenhum. Para mim, é também mais difícil aprender palavras novas, além da conjugação dos verbos, já que em algumas situações não está evidente que há um S na escrita. Mas eu acho isso super charmoso e está claro que a queda do S é um fenômeno frequente nos idiomas romance. Venezuela super a frente na evolução do espanhol!  #Prafrentéx Claro que isso não acontece só aqui, mas bom, não conheço os outros lugares, por isso não vou afirmar 🙂

Outra coisa que não sei se é só venezuelana mas que é bem notável é o uso da palavra este como apoio. Ou seja, as pessoa falam a palavra apenas como forma de preencher o tempo que tomam pensando em algo, como nós brasileiros fazemos com e. E, claro, pronunciam apenas ete.

Como eu disse, acho o espanhol daqui bem fofo (particularmente, não gosto muito do som do S – cada um com sua mania) e, se fosse escolher um lugar pra aprender o idioma, seria em na ilha de Margarita. Já pensou, que vida boa?

imagesAssim são as publicidades de turismo do país.

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Último dia em Paris: Versailles e os trens do mal

19 abr

Finalmente resolvi contar sobre meu último dia em Paris! Texto escrito em dois momentos: em algum dos muitos dias desocupados em Lyon, e outro agora, direito do interior da Venezuela. Ai como sou ryca e viajada!
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Lyon resolveu ter seu momento curitibano e trouxe muita chuva nessa segunda-feira de outono. As roupas para lavar e as compras a fazer foram deixadas para trás, substituídas por café e bolachas de chocolate. Então, quase um mês depois, finalmente resolvi vir aqui contar sobre o último dia de minha visita a Paris.

Como já disse em outro post, desde o início meus planos para a viagem deram errado. A ideia era visitar o castelo de Versailles na quinta feira, dia de pouco movimento. Foram várias coisas que fizeram com que eu fosse adiando cada vez mais essa viagem, e no final bateu aquele desespero achando que não ia conseguir ir. Mas eu queria muito visitar o castelo, e ficaria indignadíssima se não fosse, então eu fui no último dia, mesmo sabendo que isso poderia atrapalhar minha volta pra casa, que seria de carona, assim como a ida. Sabe quando você sabe que alguma coisa vai dar errado? Então, eu sabia. E é claro que realmente aconteceram alguns imprevistos bizarros!!!

Mas, oras, vamos começar pelo começo, e no começo deu tudo certo. adendo posterior: uau, isso define a vida, não? #Emo

Eu e o Roberto acordamos cedo e fomos pegar o trem. Dentro de Paris, as linhas de metro são muito fáceis de entender, com várias placas e tudo mais, já os RER (trens/metro que circulam por toda a região Ile de France, onde ficam Paris e Versailles) são bem mais confusos e difíceis de entender. Sinceramente não sei o que dizer para ajudar alguém que esteja planejando a ida de Paris a Versailles, por que chegando nas estações vocês não vê placa nenhuma que te ajude, nem informações sobre o trajeto dentro dos trens. Eu segui as dicas que vi nesse blog, que me foram muito úteis. Mas isso não foi suficiente. Pelo que ela diz (e eu também percebi isso depois), tem uma linha que vai direto até a estação final em Versailles. Nós pegamos uma outra, tivemos que descer numa estação minúscula sem nenhuma placa e esperar outro trem sem nem ter certeza se era aquela que tínhamos que pegar. Quando esse outro trem chegou, vimos que era ele mesmo, já que estava cheio de turistas. Mas não sei dizer onde esse trem passa em Paris, muito menos por que nós seguimos todas as placas que indicavam “Château de Versailles” e acabamos pegando um trem que não ia exatamente pra lá. Eu suponho que tenha duas linhas que parem no mesmo lugar, e afinal de contas as duas te levam, de uma forma ou de outra, onde você quer chegar. Só que acho muito ruim não ter informações claras, levando em consideração que Versailles é um destino obrigatório para todo o mar de turistas que está em Paris diariamente. Eu imagino que qualquer francês habituado a viajar de trens entenderia tudo perfeitamente, mas para os turistas a falta de informações claras complica.

Finalmente chegamos à estação de Versailles, depois de meia hora, eu acho. Daí foi muito fácil, é só seguir todos os turistas e em poucos minutos chegamos ao castelo.

O dia estava bem bonito, com sol, apesar do frio. Tinha muitos turistas, naturalmente, mas não achei que estava tão lotado assim. A entrada do castelo é essa aí, que fica na parte de trás. Lá você pode comprar o bilhete de entrada, que não é unificado. A entrada no castelo principal é separada do Domaines de Marie Antoniette. Já o jardim é liberado gratuitamente para todos. Como não tínhamos muito tempo, já que eu precisa pegar minha carona as 17 horas em Paris, escolhemos entrar apenas no castelo principal e visitar os jardins. Não fiquei tão chateada de não ver a outra parte, por que pretendo ir lá de novo durante o verão, quando as fontes estão funcionando – comentário posterior: não o fiz.
Assim como no Louvre, não tive que pagar entrada, apenas apresentei minha declaração de residência fixa e meu passaporte.

Continuação tardia
Lá dentro, as coisas são muito legais. É oferecido gratuitamente um aparelho de áudio com várias explicações. Meus lugares favoritos eram os quartos, mas o famoso salão se espelhos também é maravilhoso, claro. Porém, fiquei um tanto irritada com os grandes grupos de turistas chineses que estavam lá, tirando mil fotos e falando super alto. Mas tudo bem.

Como já era outono, as estátuas dos jardins estavam todas cobertas por panos brancos e as fontes não estavam ligadas. Tudo continuava sendo muito agradável, mas com certeza vale mais a pena ir lá no período entre a primavera e o verão, ou então em pleno inverno, mas aí com uma sensação completamente diferente. De qualquer forma, acho que todos os momentos têm sua beleza, e o meio termo entre sol e frio que vi, com o inicio da preparação para o inverno, foi bem bonito.

Depois de comermos nossos sanduíches, voltamos para Paris. E aí sim a coisa ficou complicada. Pegamos um RER que parava numa estação em que podiamos fazer conexão para voltar para casa. Porém, no meio do caminho, eis que surge uma voz do além e, em baixa qualidade, anuncia que dali em diante não pararia em todas as estações previstas, que apenas uma parada seria feita a seguir e então seguiria direto ao aeroporto Charles de Gaulle. Olha, nunca fui nesse aeroporto, mas sei que é longe demais da conta! O que aconteceu é que estavamos ambos sentados e já mortos de cansaço. A cena poderia ser de filme: a voz fez o anúncio e, absortos em nosso cansaço, nem demos bola. Alguns segundos depois nos olhamos com cara de PUTAIN! CORRE!!! mas aí, minha gente, já era tarde. Então, fica a dica: os trens em Paris podem ser, além de complicados, sentimentais, mudando seu caminho a qualquer hora. Chato, não?

Então, fizemos uma viagem bem maior que o previsto até a tal estação antes do aeroporto, muito emputecidos. Chegando lá, ficamos uns 20 minutos esperando outro trem na direção oposta, com muito medo que aparecesse um fiscal, já que nossos bilhetes não eram válidos para o sentido contrário, mas não podiamos nos dar o luxo de pagar por outro. Até que finalmente chegou o trem e então ok.

Que ok que nada, porque alguém fez o favor de se jogar na frente do trem!!!!!!!!!!!!!!

Foi muito indignante. Suicídio é um tema delicado com qual todos deveríamos ter sensibilidade. Mas dá para perceber a má sorte que estavamos tendo. Passamos duas horas e meia parados.

Depois disso, acabei chegando atrasada até minha carona, que foi compreensiva. Voltamos apertados em 3 na parte de trás de um carro pequeno, com um piá que tinha bafo e outro que se considerava um produto satisfatório (??) do sistema de escolas de Belas Artes francês (??). Chegamos após o previsto em Lyon, não exatamente pelos meus 15 minutos de atraso e sim pelo congestionamento na saída da capital, de forma que já não havia ônibus na cidade.

Quem conhece Lyon sabe que na estação de Perrache há sempre um monte de famílias de ciganos dormindo, ou melhor, morando. Minha dúvida era se eu dormiria na praça ou com esse povo no túnel do tramway, já que minha carona não demonstrou nenhum remorso em me largar lá à uma da madrugada. Bem gente boa!

Mas como existem pessoas boas nesse mundo, a moça que veio esmagada comigo pediu para seu namorado, que a foi buscar, me levar até minha casa. Muito obrigada, moça!

E assim chegou ao fim minha estadia na cidade luz, a capital do amor, e caraca! Devia ter percebido que isso era mau agouro!!! #Brincadeirinha

Colônia Tovar

16 abr

Finalmente saí um pouquinho de Caracas!  E lá vão algumas fotinhos!

Neste fim de semana visitei a Colônia Tovar, uma cidadezinha que fica no estado de Aragua, ao oeste de Caracas. A viagem de carro foi super rápida,  cerca de 1 hora e meia (57 km),mesma distância que estou acostumada a fazer na rota Curitiba-Rio Negro. A volta, por outro lado, demorou muito mais, já que ficamos 1 hora presos num congestionamento, como é de praxe na Venezuela.

IMG_1009Como se vê, é uma colônia alemã. Nessa foto está a igreja da cidade, que curiosamente é católica, e não luterana. Destaque para o cachorro, divando logo à entrada.

IMG_1016Espiando a missa

A cidade é irmã de nossa querida Blumenau, por razões óbvias, mas é muito menor. Seu sustento é a base de turismo e do plantio de frutas vermelhas, verduras, legumes e flores, que são vendidos em feiras por quase toda a cidade.

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IMG_1002Tudo o que vi estava muito bonito. Tanto os legumes quanto as frutas eram muito grandes e com cores vivas. Não resisti e comprei uma bandejona de morangos. O preço pode ter uma pequena variação entre as barracas, então comprei na mais barata, por 60 bolívares.  É incrível como o clima da Venezuela é maravilhoso, permitindo a produção de frutas vermelhas, que se encontram facilmente por aqui por um preço baixo. Bom, nada aqui é efetivamente barato além da gasolina, mas em comparação com o preço geral das coisas, é bem barato.  Comparando com o Brasil então, nem se fala.

Além disso, vendem-se várias outras coisas, como vinhos, geleias e molhos variados, tudo produzido lá. Além dos morangos, comprei um pacote de suspiros e fiz minha sobremesa favorita em casa, merengue. Para mim, morango com suspiros já configura merengue. Se você acha que não, okay, respeito sua opinião. Mas você pode também apenas provar o prato mais típico do lugar, que são as fresas con crema, ou seja, morango com chantilly. Eu não provei por dois motivos: primeiramente porque algo me dizia que não seria tão saboroso quanto o merengue da minha avó (já que não tem suspiros e não tinha certeza se o chantilly seria feitincasa) e não quis me decepcionar; e também porque já me havia empanturrado com um perro caliente alemán, que é um cachorro quente com repolho, que só me lembro de ter comido na casa do meu querido opa Stefan, e acho delicioso. Tem também o perro caliente polaco, que tem uma linguiça diferente. Aliás, tive a leve impressão de que o que me deram foi o polaco (a vina era brancona) e meu amigo Javier acabou com o alemão (com aquela vina vermelha gigante). Mas não entendo muito de linguiça pra sair julgando. De qualquer forma, estava muito bom. Se não me engano, o dogão custou 90 bolívares.

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1509992_10201940305124387_1422545643168574865_nJunto com os dois pacotes de suspiro, compramos também essas bolachas. Os três saíram por 100 bolívares.

Como é de se esperar de uma pequena colônia, não há muito o que fazer além de comer e andar pela cidade. Eu achei o local muito bonito e agradável. É muito parecido com um pequeno povoado que fica no Ávila (montanha de Caracas) e que visitei no mês anterior, só que é bem mais bonito. Também não é nada impressionante para quem é do sul do Brasil, mas é com certeza bem divertido e me fez sentir em casa. Não estava fazendo exatamente frio, porém o vento estava geladinho, o que foi um alívio. O clima da Venezuela é peculiar e eu ainda não entendo muito bem, mas pelo que me foi dito, a melhor época do ano para visitar a colônia seria no “inverno”, entre Julho e Agosto, quando há mais flores.  Isso, para mim, não faz o menor sentido, já que no inverno as flores deveriam todas morrer de frio, coitadas. Mas aqui não, é tudo esquisito.

IMG_1027Rosa

Ah, e claro! Sendo uma colônia alemã, não poderia faltar a produção de cerveja (por mais que, pelo que disseram, a fábrica tenha sido movida de lá). Provei a achei muito boa, porém não se encontra em todos os estabelecimentos.

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É isso.