Arquivo | junho, 2014

Praias venezuelanas: o sistema de aluguel

16 jun

Pensei em deixar aqui um post sobre as praias venezuelanas, provavelmente a maior atração do país. Além de serem, em sua maioria, belíssimas e de águas quentes, existe aqui uma praticidade muito grande: um sistema completamente difundido por todo o país de aluguel de cadeiras e guarda-sóis.  Eu não sou a especialista em praias, já que raramente vou até elas. Mas até hoje, nunca vi nada assim no Brasil. Alguém sabe se existe?

E como funciona?

Basta chegar a qualquer praia e encontrar tudo já montado. Costuma haver mais de uma opção: guarda-sol, tenda, cadeira de sentar, de deitar, e até mesa. Em praias mais populares, esse serviço é quase sempre vinculado a restaurantes.

10484044_10202306880848551_4631784079200678574_nLa Guaira, a uma de Caracas, opção para o fim de semana dos caraquenhos, apesar do mar frio e forte.

E isso é bom?

Por um lado, é ótimo! Afinal, além de haver um custo alto na compra desses equipamentos, é bem chato ter que ficar carregando tudo para cima e para baixo. Por outro, você fica dependente dos preços estipulados pelos “alugadores”, que muitas vezes é completamente absurdo. Um turista pode não ter muita noção dos preços comumente praticados e acabar pagando muito mais do que a coisa realmente vale. Porém, como sempre digo, nada é realmente caro para um turista que troca dólares no mercado paralelo.

1907663_10202306881888577_1386726493668740859_nIsla de Coche, belíssima

Quais são as desvantagens?

A primeira coisa que notei foi que pode haver uma segregação da praia de acordo com os preços cobrados, já que você pode acabar tendo que escolher o lugar em que fica pelos valores. Além disso, nas praias em que as estruturas já estão montadas (que foi a maioria das que conheci até agora), muitas partes já são pré-reservadas para hóspedes de hotéis à beira mar, impedindo que você possa ficar ali. É claro que a praia segue sendo a mesma, mas é sempre meio desagradável não poder escolher a parte que te cabe nesse latifúndio. Pelo menos eu acho. Ou sou eu que sou muito mimada? haha.

Além disso, a Venezuela não tem uma cultura de serviços, o que significa que você provavelmente vai ser mal tratado. Isso não se aplica apenas a esse momento, mas sim a todos. Absolutamente todos. Até hoje, só fui bem tratada em um único serviço venezuelano, uma pizzaria em Caracas. De resto, não espere se quer te olhem na cara. Em algumas praias, a abordagem dos alugadores foi exagerada demais, não dando tempo de você respirar. Em um caso, o homem queria nos cobrar 350 bolívares por um guarda-sol e duas cadeiras, sendo que estávamos em 3. Quando dissemos que iríamos andar um pouco, ele ficou revoltado e ficou falando mil coisas que não entendíamos, bem estressado. Andamos bastante e não encontramos nenhum lugar bom, pois os únicos disponíveis ficavam atrás de alguma coisa que tapava a visão do mar: um posto salva-vidas, uma barraca de comida, etc. Isso que a praia não estava nem um pouco cheia, mas vários lugares já estavam reservados para os hotéis. Voltamos para o ponto inicial decididos a pagar os 350 se nos desse uma cadeira a mais, porém o homem jamais apareceu. Decidimos nos instalar assim mesmo, e depois de mais ou menos uma hora, outro rapaz apareceu e nos pediu… 150 bolívares. Vai entender.  Pelo menos, saímos no lucro.

10354813_10202306882768599_6840067341205398936_nPlaya El Yaqye, Isla de Margarita

Em outra situação, um guarda-sol com duas esteiras custava 500 bolívares, o que é completamente absurdo. Ainda por cima, não permitiam que ficássemos lá com nosso isoporzinho, que já estava cheia de água, chá e cerveja pros que gostam de se torrar (hábito aparentemente até mais forte aqui do que no Brasil, o que é impressionante). Isso porque o serviço era oferecido por um restaurante, que queria nos forçar a consumir. Bastou darmos 10 passos para encontrar um local que nos cobrava 350, permitia a caixa de isopor e ainda nos fornecia mais água e chá mate, incluso no preço. Veja só. E ainda por cima, tinha wifi. Que funcionava. Puro luxo caribenho.

 

Bom, apesar dos pesares, acho isso muito prático, principalmente para o turista. Fico pensando o que aconteceria com quem resolvesse levar seus próprios equipamentos, e realmente acho que as chances de quererem proibir são grandes, o que é completamente absurdo. Mas, em geral, todos parecem ficar feliz pela praticidade da coisa.

 

É isso. 

 

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O Oriente da Venezuela – parte 2: Turismo

16 jun

Como disse no post anterior, fiz essa viagem com uma aluna, que estava indo visitar a família. Além de me receberem em sua casa por 4 dias, também me levaram conhecer as coisas mais interessantes da região. E olha que viajamos muito hein! Muito gentil da parte deles se deslocarem tanto para que eu conhecesse lugares que eles já conhecem.  E as distâncias entre os locais visitados e a cidade onde estávamos não é nem um pouco curta! Veja no mapa:

 

mapaJá estava quase no Brasil!

Com o número 1, temos Caracas, nosso ponto de partida. El Tigre, onde estávamos hospedadas, é o 2. O primeiro passeio que fizemos foi até o 3, próximo à cidade de Caripe, El Parque nacional El Guácharo, onde fica uma gruta habitada por esse tipo de pássaro chamado Guácharo, existente também no Brasil. Para visitar a gruta, existem horas específicas de tour, e quanto mais tarde, mais curta é a caminhada. Como nós chegamos já às três da tarde, horário do último tour, não tivemos a chance de conhecer todo o caminho, mas eu não me importei. Afinal, a guia nos explicou que os índios que viviam ali jamais iam mais além do que onde a luz do sol alcança, e nós fomos justamente até esse ponto. Dali em diante, acreditavam que viviam os espíritos dos seus antepassados. Eu realmente achei super sensato respeitar essa tradição. HAHAHA.  Confesso que senti bastante medo. Mas o pior era o medo de ser premiada por um pássaro que estivesse se aliviando. Mas isso não aconteceu, ufa.

Clique nas fotos para aumentá-las:

O parque é bem pequeno e é constituído apenas da gruta e de um museu sobre o guácharo, mas é realmente muito bonito e vale muito a pena ser visitado. É cobrado um valor de entrada, porém é irrisório para qualquer turista com dólares. Se não me engano foram 50 bolívares ou algo assim. Achei o passeio maravilhoso e fiquei bem maravilhada!

Na volta, pude ver um pouco mais da cidade de Caripe, que é uma gracinha. Ela fica nas montanhas, e por isso faz mais frio. No centro, as construções são todas coloniais, e lembra  um pouco cidades como Antonina. Nesse dia, estava havendo alguma festa popular e as ruas estavam enfeitadas com bandeirinhas, porém não podíamos ficar mais tempo, já que o retorno demoraria várias horas. O melhor de tudo é que Caripe, assim como a Colônia Tovar, é uma das cidades produtoras de morango, a maior delícia frutística venezuelana, na minha opinião. Por aqui, se encontra morangos enormes e deliciosos em qualquer época do ano, já que nas regiões de montanha o fruto cresce muito bem. Aproveitamos para comer muito morango com chantilly!

No dia seguinte, fomos até o estado Bolívar, que faz fronteira com o Brasil, e visitamos o Parque nacional La Llovizna, onde ficam umas quedas de água do rio Caroní. Isso fica em Porto Ordaz (mapa número 4), que é a única cidade planificada da Venezuela, assim como Brasília. Lá também fica uma usina hidrelétrica, e o EcoMuseo Del Caroní, que tem exposições de artistas nacionais e por onde se pode ver partes da usina.  Como minha aluna é engenheira eletricista, ela sabia muitas informações sobre todos esses paranauês. HAHAHAHAHA.  E o parque la Llovizna, que fica logo ao lado é gigantesco. Havia muitos turistas e muitos locais aproveitando do sol e do calor de 35°C.  O complicado é que, apesar de ser um local super visitado, há apenas um local que vende comida, que estava, por tanto, extremamento lotado. O mais impressionante eram os venezuelanos almoçando sopa. Sim, eu disse sopa. Com 35°. Fico imaginando o que passa na cabeça de uma pessoa: “Ei, quer ir comigo ali no parque comer uma sopa?”. Enfim né, amigos. Voltando às atrações do local, tudo é uma belezura e você pode caminhar muito, pois é realmente muito grande. As cachoeiras não são grandes e também não estavam muito cheias, já que não está chovendo quase nada este ano. Por isso, não eram impressionantes, porém lindíssimas, assim como todo o resto do parque. Eu achei encantador. Acho que isso de morar em Curitiba me fez desenvolver carinho por parques, num geral.

E a estrada também estava muito bonita. Passamos pela Puente Orinoquia, que é uma ponte estaiada, como a que estão fazendo em Curtiba. Ela foi construída pela empresa brasileira Odebrecht, onde eu dou aulas. Logo ao lodo também tem um mirante TOTALMENTE illuminati. AHAHAHA.

Enfim,

é isso.

O oriente da Venezuela – Parte 1: visão geral

9 jun

Pelo nome, já se percebe que é a região da Venezuela em que vivem os chineses, que estão aqui para ajudar a deixar tudo dominado tá tudo dominado e também onde há uma zona de treinamento petralha.

Mentira.

 

Nem os venezuelanos sabem muito bem como o país está dividido, então não coloco a mão no fogo pela veracidade desse mapa. Eu mesma me peguei pensando sobre as divisões regionais do Brasil- para que serve?  Como foi feita a divisão? So many questions! Mas a coisa é mais ou menos a seguinte: no Oriente o calor é mais forte e as arepas (e cachapas, e empanadas) são feitas com milho de verdade e não com farinha pronta. Uma verdadeira gostosura.

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Arepa (a redonda) e cachapa cortada no meio versão TRU do interior e verdadeiramente mais saborosas que na capital.

A viagem desde Caracas levou longas 8 horas, mas o mais difícil foi mesmo a volta, que durou umas 13. A cidade em que fiquei se chama San José de Guanipa, no estado de Anzoátegui. Fica perto se um povo chamado El Tigre, onde dizem que havia muitos…tigres. E eu achando que não tinha tigres na América do Sul.  A cidade é petroleira e quase todos os moradores são trabalhadores da PDVSA, que é a Petrobras daqui. Há também muita gente da Líbia, que veio para cá pelo mesmo motivo.

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Esta é uma das muitas chamas que estão nos arredores da cidade. As estradas que passam bem perto de onde há extração de petróleo têm vigilância completa por câmeras – dizem- e são zonas de proteção da PDVSA. Durante a noite, o céu fica com tons de amarelo e vermelho. Achei meio apocalíptico. Deve fazer um malzão pra saúde. Também fiquei pensando se isso tudo resolver explodir. HA!
Mas isso tudo está nos arredores e não na cidade em si.

Segundo o que me explicaram, o estado de Azoátegui é de maioria chavista, com muito mais políticos eleitos do governo que da oposição. Por isso, aqui tem muito mais imagens de Chaves e de seu partido, PSUV, que em Caracas. Aliás, quase não vi nenhuma imagem a favor de Caprilles, ou contra Maduro pelas ruas.

Achei muito interessante conhecer um pouco do interior da Venezuela. A vida é, obviamente, bem diferente de Caracas. Aqui as pessoas ficam na rua até tarde, bem de boa. Em Caracas, muitos não gostam de estar fora depois das cinco da tarde. Isso mesmo, cinco. Outros consideram o limite as sete. Uma coisa negativa é que as pessoas conseguem o feito incrível de dirigir pior que na capital, o que é realmente impressionante. Porém, isso parece se aplicar a essa cidade especificamente e não a todo o Oriente. A impressão geral que tive é de que nas pequenas cidades daqui, chamadas de pueblitos, a vida pode ser bem agradável. Porém, não encontrei nenhum venezuelano que concordasse comigo pois, segundo eles, nem mesmo esses lugares são seguros. Aí já não sei se é exagero deles ou não.

Fiz essa viagem a convite de uma de minhas alunas, que estava indo visitar a família na semana santa. Foi muito divertido e interessante. Aqui não se comemora a Páscoa, apenas a semana santa. Ou seja, não tem nada de chocolate nem de coelho ovíparo. As tradições são não comer carne vermelha na sexta-feira e malhar o Judas, porém no domingo, e não no sábado de aleluia. Na sexta fizeram um jantar típico que estava muito gostoso: arroz branco, legumes cozidos, casabi (feito com aipim, é quase como uma tapioca mais rígida) e uma torta de cação, tradicional do Oriente, em que a massa é feita apenas com clara de ovos, o recheio é de cação e há camadas de platano (banana-da-terra). É bem diferente mas o gosto lembra bastante empadão.

HMMMMMMMMMMMMMM

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É isso