Praias venezuelanas: o sistema de aluguel

16 jun

Pensei em deixar aqui um post sobre as praias venezuelanas, provavelmente a maior atração do país. Além de serem, em sua maioria, belíssimas e de águas quentes, existe aqui uma praticidade muito grande: um sistema completamente difundido por todo o país de aluguel de cadeiras e guarda-sóis.  Eu não sou a especialista em praias, já que raramente vou até elas. Mas até hoje, nunca vi nada assim no Brasil. Alguém sabe se existe?

E como funciona?

Basta chegar a qualquer praia e encontrar tudo já montado. Costuma haver mais de uma opção: guarda-sol, tenda, cadeira de sentar, de deitar, e até mesa. Em praias mais populares, esse serviço é quase sempre vinculado a restaurantes.

10484044_10202306880848551_4631784079200678574_nLa Guaira, a uma de Caracas, opção para o fim de semana dos caraquenhos, apesar do mar frio e forte.

E isso é bom?

Por um lado, é ótimo! Afinal, além de haver um custo alto na compra desses equipamentos, é bem chato ter que ficar carregando tudo para cima e para baixo. Por outro, você fica dependente dos preços estipulados pelos “alugadores”, que muitas vezes é completamente absurdo. Um turista pode não ter muita noção dos preços comumente praticados e acabar pagando muito mais do que a coisa realmente vale. Porém, como sempre digo, nada é realmente caro para um turista que troca dólares no mercado paralelo.

1907663_10202306881888577_1386726493668740859_nIsla de Coche, belíssima

Quais são as desvantagens?

A primeira coisa que notei foi que pode haver uma segregação da praia de acordo com os preços cobrados, já que você pode acabar tendo que escolher o lugar em que fica pelos valores. Além disso, nas praias em que as estruturas já estão montadas (que foi a maioria das que conheci até agora), muitas partes já são pré-reservadas para hóspedes de hotéis à beira mar, impedindo que você possa ficar ali. É claro que a praia segue sendo a mesma, mas é sempre meio desagradável não poder escolher a parte que te cabe nesse latifúndio. Pelo menos eu acho. Ou sou eu que sou muito mimada? haha.

Além disso, a Venezuela não tem uma cultura de serviços, o que significa que você provavelmente vai ser mal tratado. Isso não se aplica apenas a esse momento, mas sim a todos. Absolutamente todos. Até hoje, só fui bem tratada em um único serviço venezuelano, uma pizzaria em Caracas. De resto, não espere se quer te olhem na cara. Em algumas praias, a abordagem dos alugadores foi exagerada demais, não dando tempo de você respirar. Em um caso, o homem queria nos cobrar 350 bolívares por um guarda-sol e duas cadeiras, sendo que estávamos em 3. Quando dissemos que iríamos andar um pouco, ele ficou revoltado e ficou falando mil coisas que não entendíamos, bem estressado. Andamos bastante e não encontramos nenhum lugar bom, pois os únicos disponíveis ficavam atrás de alguma coisa que tapava a visão do mar: um posto salva-vidas, uma barraca de comida, etc. Isso que a praia não estava nem um pouco cheia, mas vários lugares já estavam reservados para os hotéis. Voltamos para o ponto inicial decididos a pagar os 350 se nos desse uma cadeira a mais, porém o homem jamais apareceu. Decidimos nos instalar assim mesmo, e depois de mais ou menos uma hora, outro rapaz apareceu e nos pediu… 150 bolívares. Vai entender.  Pelo menos, saímos no lucro.

10354813_10202306882768599_6840067341205398936_nPlaya El Yaqye, Isla de Margarita

Em outra situação, um guarda-sol com duas esteiras custava 500 bolívares, o que é completamente absurdo. Ainda por cima, não permitiam que ficássemos lá com nosso isoporzinho, que já estava cheia de água, chá e cerveja pros que gostam de se torrar (hábito aparentemente até mais forte aqui do que no Brasil, o que é impressionante). Isso porque o serviço era oferecido por um restaurante, que queria nos forçar a consumir. Bastou darmos 10 passos para encontrar um local que nos cobrava 350, permitia a caixa de isopor e ainda nos fornecia mais água e chá mate, incluso no preço. Veja só. E ainda por cima, tinha wifi. Que funcionava. Puro luxo caribenho.

 

Bom, apesar dos pesares, acho isso muito prático, principalmente para o turista. Fico pensando o que aconteceria com quem resolvesse levar seus próprios equipamentos, e realmente acho que as chances de quererem proibir são grandes, o que é completamente absurdo. Mas, em geral, todos parecem ficar feliz pela praticidade da coisa.

 

É isso. 

 

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