Arquivo | julho, 2014

Morrocoy

30 jul

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A lista de praias que “você TEM QUE visitar” na Venezuela é bem grande, pelo menos para um país assim meio pequeno. Quando você conhece uma, lá vem uma lista nova de prais que se você não conhecer, não terá visto nada da maravilha que é a Venezuela. O ranking pode variar um pouco, mas o top 3 quase nunca muda: Los Roques, Morrocoy e Margarita. A primeira que conheci foi Margarita, mas vou contar hoje sobre Morrocoy!

Morrocoy é um parque nacional localizado no estado Falcón, a cerca de 5 horas em carro de Caracas. A querida Amel, a francesa que eu mais gosto no mundo, convidou Sofia, Yula e a mim para ir com ela e o casal de venezuelanos com os quais vive até Morrocoy. Fomos todos juntos de carro e nos divertimos muito, já que o casal Secada é muy chévere! Apesar de ainda não serem avós, nos tratavam a todas como se fossem, o que significa que nos mimavam muito. Lá também encontramos dois amigos da Yula cujos nomes não me lembro. haha 

mapa de morrocoy

Saímos de manhã cedinho e chegamos a Chichiriviche sem enfrentar nenhum congestionamento. Como Morrocoy é um conjunto de ilhas, onde não há nada mais do que as praias, é necessário se hospedar nas duas cidades mais próximas, Tucacas ou Chichiriviche. Tucacas  é bem mais próxima, enquanto Chichiriviche (tche tche re re tche!) fica a mais ou menos 40 minutos do parque. Essas cidades são muito pequenas e não têm muita infraestrutura turística, porém é possível encontrar pousadas agradáveis e  também se deslocar em ônibus.

Morrocoy se encontra num golfo que se chama Golfo Triste. ~Poxa vida~ Devido a isso, o mar simplesmente não tem ondas. Não entendo nada de geografia, e não quero falar coisas muito erradas, mas pelo que entendi, essa parte não recebe correntes de fora, fazendo com que a água se mantenha bem quentinha. O parque é constituído de várias ilhas, às quais se chega em coisas que aqui se chamam “lanchas”, mas, acredite, são só barquinhos. A ida é bem brusca e emocionante, mas nem se comparar ao que passei em Margarita, que é história para outro momento. De toda maneira, fico imaginando se uma pessoa idosa, com menos força, seria capaz de suportar as porradas que o barco dá na água. Mas, o trajeto é não só uma aventura, é também belíssimo! As cores do mar são inacreditáveis e maravilhosas!

mrc14remando no barquinho

O valor do transporte varia para cada ilha e é pago em grupo, por isso vale muito mais a pena estar com uma quantidade maior de gente. A ilha considerada mais bonita é Callo Sombrero. O ideal é chegar cedo e aproveitar o dia inteiro na ilha, para compensar o valor do transporte, que vai de 800 a 1200 bolívares. Nas ilhas há vendedores de comidas, então não é preciso se preocupar muito com isso. Uma coisa que deve ser notada é que em nenhum lugar da Venezuela você pode ter garantia de tranquilidade sonora, então é sempre bom estar de bom humor para ouvir um raggaeton.

Eu fiquei absolutamente encantada. Nunca passei tantas horas dentro do mar na minha vida. É uma piscina natural com aquecimento! Nada mais agradável! Até consegui desenvolver um pouco minhas poucas habilidades de natação. A água é super cristalina e agradabilíssima! Difícil descrever!

Para quem fica em Chichiriviche, também é possível pegar um barco aí mesmo e ir para alguma das ilhas que ficam próximas da cidade. Não são tão bonitas quanto Morrocoy, mas não ficam muito atrás.

É isso.

Viajar = Planejar?

29 jul

Para falar bem a verdade, eu gosto de coisas planejadas. Não consigo evitar ficar ansiosa quando sou obrigada a fazer alguma coisa imediatamente, sem estar preparada antes. Em geral, para mim é uma dificuldade aceitar convites de última hora, do tipo “vamos em tal lugar daqui há uma hora”. Fico nervosa e tenho sempre vontade de dizer não. Confesso que acho meio absurda a ideia de abandonar meus planos de não fazer nada, o que é uma bobeira de minha parte, eu sei. Já há algum tempo tenho conseguido superar um pouco isso, mas volta e meia ainda acabo ofendendo alguém por simplesmente não ser capaz de aceitar convites assim.  De qualquer forma, no meu cotidiano, me sinto muito mais feliz quando sei que amanhã farei isso, que dia tal farei aquilo, e me preparo psicologicamente antes.

 Relax! Take it easy!

Porém, isso não se aplica a viagens. Sinceramente, imagino que seria enlouquecedor tentar viajar se fosse para se sentir frustrado com as oportunidades que aparecem no caminho. Afinal, aproveitá-las é exatamente o bacana de viajar!

A primeira viagem que fiz na Europa foi a Paris. Minha intenção inicial era planejar o que fazer em cada dia, com o intuito de aproveitar ao máximo o tempo. Deu certo? Nem um pouco! Fiquei frustrada? Confesso que lamentei não ter buscado informações com antecedência sobre as catacumbas, que acabei não podendo ver devido à necessidade de uma reserva. Mas tirando essa pequena lástima, tudo bem! Afinal, nenhum momento é realmente perdido!  Por exemplo, acabei visitando o bairro de Montmartre dois dias diferentes, o que é uma perda de tempo, por um lado. Por outro, é divertido andar pela cidade e ter um pouco a sensação de já conhecê-la. Quero dizer, é maravilhoso andar por uma rua pela primeira vez, mas também é legar optar por seguir tal caminho porque você já sabe que ele te levará novamente a um lugar que você gostou.

E a eficiencia???

Não sou muito fã de viagens rápidas com excesso de lugares a serem vistos. Não tenho nenhum interesse em sair de um ponto turístico diretamente a outro sem aproveitar o caminho entre eles.  Por isso, não sinto a necessidade de saber exatamente qual caminho tomar para que tudo seja 100% eficiente. Além disso, logo nessa primeira viagem percebi que não há problema nenhum em deixar algumas coisas para trás. É… talvez eu nunca mais volte para aquela cidade, mas se um dia voltar, além de poder rever muitas coisas, terei outras tantas novas para conhecer. Em Paris, por exemplo, não subi a torre Eiffel. Imagino que para muitos isso seja o mesmo que simplesmente não visitar Paris, mas e daí? Não achei que compensaria as horas de espera na fila. Não fazia meu coração bater mais forte, e fiquei bem feliz sentada na grama comendo um pacote inteiro de pains au chocolat. Isso sim faz o coração disparar!!!! De diabetes!!!!Mas tudo bem. O que importa é que naquele momento achei mais agradável deixar o plano de lado e aproveitar o que tinha vontade de fazer, por menos proveitoso que aquilo pudesse parecer para alguns.

Em outras viagens, encontrei pessoas com estilos completamente diferentes. Algumas que já conheciam bem o caminho e estavam prontas para ajudar a escolher o que e como fazer, pessoas que não planejam nada e também pessoas que planejam absolutamente tudo. Acompanhando essas pessoas, percebi que não planejar nada não é sempre totalmente positivo, pois você acaba tendo dificuldades que poderia facilmente evitar. Por outro lado, ficou evidente para mim que aqueles que planejam muito se frustram facilmente, simplesmente porque as possibilidade das coisas saírem de acordo com o script são muito pequenas. Ou seja, acho legal ser uma pessoa mais “viva” durante uma viagem e não ficar todo o tempo esperando que as coisas simplesmente aconteçam, entretanto, ficar obcecado com a eficiência de uma viagem é uma droga.

Na última viagem que fiz, estava acompanhada por duas pessoas que eram exatamente esses dois opostos. Por um lado, quase não conseguímos passagens de regresso, devido às escolhas do indivíduo X, que era basicamente que organizou a viagem e não é do tipo que se previne. Isso só foi evitado devido à obsessão do indivíduo Y em ter tudo previamente pronto. Contudo, durante muitos dias, Y simplesmente não parecia estar desfrutando, fazia constantemente comentários negativos e não tinha interesse em curtir nenhum dos momentos que se apresentavam para nós, aparentemente porque eles não tinham sido planejados. Por isso, apesar de ser evidente para mim que alguns perrengues podem ser evitados com organização, está também claro como petróleo (como dizem aqui na Venezuela) que é impossível ser feliz viajando se você não é capaz de abrir mão de seus planos inciais.

Bem óbvio, não?  É bem possível que a resposta para tudo na vida seja EQUILÍBRIO, o que às vezes é bem difícil de conseguir. Considero que é super válido se organizar bem em relação às suas despesas, afinal dinheiro ainda não está crescendo em árvore, e por mais que seja sempre possível contar com a ajuda de almas caridosas, não se pode simplesmente sair contando com a existência delas. Também entendo que haja coisas que você simplesmente deseje muito ver, e que haja frustração caso não consiga fazer tudo o que queria. Mas o mais importante é saber aproveitar as oportunidades que aparecem ao invés de lamentar as que foram perdidas. Como dizem, a felicidade é como uma borboleta… hehehehe

É isso.