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Aprender espanhol na Venezuela

22 abr

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Como todos sabem, a língua espanhola varia muito em cada região. Quando se escolhe um país para ir estudar o idioma, também se está escolhendo uma de suas variações. Isso tudo sem levar em conta as variações dentro de cada país, e nem vamos pensar em todas as variantes existentes ! Como já diz a canção:

Que difícil es hablar el español!  Si lo aprendes, no te muevas de región! 

E como é que as pessoas falam aqui?

Chévere. Aqui as coisas não são boas, são chévere. Hola, como estás? Chévere. Segundo a Wikipedia, a palavra veio de um idioma da Nigéria e foi introduzida em Cuba, sendo difundida no mundo latino através das canções cubanas. Os venezuelanos, porém, tomam o termo como sendo 100% nacional, e é certo que aqui ele é super utilizado cotidianamente há muitos anos. Hoje em dia, já se escuta também na Colômbia e no Peru, e sabe-se lá onde mais. Lembro-me de ter conversado com um cara de Bogotá num vôo Berlin-Lyon e dele descrever tudo na Alemanha como chévere.

Uma coisa que não é exclusiva daqui, mas que eu acho muito bizarra, é a utilização dos termos mami e papi. Eu achava que seria uma coisa mais entre casais (fiz essa dedução pelas músicas do Pitbull, haha) mas as pessoas usam ela no dia a dia para se dirigir a uma outra pessoa. Então, você pode ouvir alguém dizer Cómo estas mami?. Mas me parece que pode haver uma distinção social para o uso dos termos. Muitos me disseram que isso é horrível e que não usam jamais. Achei também curioso que ontem mesmo ouvi um frentista dizer a um motorista Dale papi, o que eu achei estranhíssimo, pois até então nunca tinha visto homens se falarem assim. Já quando a palavra é dirigida a crianças, acho que não há tanto preconceito.

Mas, para mim, a característica mais marcante do espanhol venezuelano é a não pronunciação do S. Ou seja, em palavras como hospital, dizem apenas hopital. Caracas é dito quase sempre Caraca. Em outros momentos, além de não pronunciar o S, também se pode produzir um som aspirado em seu lugar. Não vou sair afirmando, mas essa aspiração soa como o CH alemão como em nacht. Ouço isso no meio de palavras como este, mas nunca no fim de palavras. Muitos dizem que isso é coisa de pessoas sem escolarização, mas não é verdade. Todas as classes sociais produzem o mesmo fenômeno, basta ver um pouco de televisão para ver. Porém, existe muita variação pessoal: alguns nunca pronunciam nada, mas a maioria das pessoas produz as duas opções, dependendo da palavra (só não fiz uma descrição linguística disso ainda,para ver qual a lógica por trás. Aliás, nem vou fazer. Hahaha!) Isso acaba sendo uma dificuldade para eles ao aprender outro idioma, já que eles pensam que estão pronunciado o S quando, na verdade,  estão fazendo esse som aspirado, ou som nenhum. Para mim, é também mais difícil aprender palavras novas, além da conjugação dos verbos, já que em algumas situações não está evidente que há um S na escrita. Mas eu acho isso super charmoso e está claro que a queda do S é um fenômeno frequente nos idiomas romance. Venezuela super a frente na evolução do espanhol!  #Prafrentéx Claro que isso não acontece só aqui, mas bom, não conheço os outros lugares, por isso não vou afirmar 🙂

Outra coisa que não sei se é só venezuelana mas que é bem notável é o uso da palavra este como apoio. Ou seja, as pessoa falam a palavra apenas como forma de preencher o tempo que tomam pensando em algo, como nós brasileiros fazemos com e. E, claro, pronunciam apenas ete.

Como eu disse, acho o espanhol daqui bem fofo (particularmente, não gosto muito do som do S – cada um com sua mania) e, se fosse escolher um lugar pra aprender o idioma, seria em na ilha de Margarita. Já pensou, que vida boa?

imagesAssim são as publicidades de turismo do país.

Sobre estudar uma língua estrangeira

12 abr

Uma das desculpas mais esfarrapadas que já ouvi para alguém abandonar os estudas da língua francesa é de que a relação entre a fala e a escrita não faz sentido. Digo que essa  é uma desculpa “esfarrapada” não por discordar dessa constatação, mas sim porque, afinal de contas, essa não é uma exclusividade do francês.

Quem começa a estudar o idioma francês vai logo de cara perceber que é necessário um certo tempo para se acostumar com a escrita dos sons.  O exemplo mais clássico é a palavra “beaucoup”, que se pronuncia apenas “bocú”. Além disso, os acentos são um eterno mistério e a memória nem sempre ajuda, então escrever um texto longo em francês sem um bom corretor ortográfico beira o impossível. Para mim, a parte que mais causa problemas, apesar de não ser uma coisa difícil, é que as palavras no plural levam “s” na escrita mas não na fala, e por causa disso acabo escrevendo como se fosse no singular, o que é um erro muito elementar.

Se você se deparar com  isso e achar tudo muito chato, tedioso, feio, inútil ou seja lá o que for, talvez seja mesmo melhor partir pra outra. Nem todos acreditam nisso, mas eu acho difícil aprender qualquer coisa que a gente menospreze. Me parece que o mais importante é estar motivado, e não simplesmente o nível de dificuldade do que você está estudando. Eu gostava muito de estudar alemão justamente porque achava difícil. Fazia todas as atividades com muito prazer e estudava além do que era pedido. Já o francês nunca foi uma grande dificuldade para mim, então nunca estudei de verdade, porque não parecia necessário e isso me desmotivou muito em um certo período da aprendizagem, além de me causar problemas hoje em dia: o clássico “correndo atrás do tempo perdido”.

Porém, é preciso lembrar que todos os idiomas têm suas chatices, e se você for desistir por causa da primeira dificuldade encontrada, jamais seguirá em frente com nenhum deles. O exemplo que dei sobre o aspecto caótico do francês, por exemplo, soa absurdo vindo de uma pessoa que já domina a língua inglesa, que também tem suas maluquices na transposição dos sons para a escrita, sem contar o próprio português.

No momento, estou muito empolgada para aprender espanhol, que supostamente seria bastante fácil, mas por outro lado estou curiosa para ver na prática como se lida com a quantidade enorme de variações entre os países. Quando vejo esse vídeo, por exemplo, não sei se me animo ainda mais ou se sento e choro:

Enfim, motivos para começar ou deixar de estudar um idioma são muitos. Se alguém quiser compartilhar os seus, fiquem a vontade.