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Último dia em Paris: Versailles e os trens do mal

19 abr

Finalmente resolvi contar sobre meu último dia em Paris! Texto escrito em dois momentos: em algum dos muitos dias desocupados em Lyon, e outro agora, direito do interior da Venezuela. Ai como sou ryca e viajada!
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Lyon resolveu ter seu momento curitibano e trouxe muita chuva nessa segunda-feira de outono. As roupas para lavar e as compras a fazer foram deixadas para trás, substituídas por café e bolachas de chocolate. Então, quase um mês depois, finalmente resolvi vir aqui contar sobre o último dia de minha visita a Paris.

Como já disse em outro post, desde o início meus planos para a viagem deram errado. A ideia era visitar o castelo de Versailles na quinta feira, dia de pouco movimento. Foram várias coisas que fizeram com que eu fosse adiando cada vez mais essa viagem, e no final bateu aquele desespero achando que não ia conseguir ir. Mas eu queria muito visitar o castelo, e ficaria indignadíssima se não fosse, então eu fui no último dia, mesmo sabendo que isso poderia atrapalhar minha volta pra casa, que seria de carona, assim como a ida. Sabe quando você sabe que alguma coisa vai dar errado? Então, eu sabia. E é claro que realmente aconteceram alguns imprevistos bizarros!!!

Mas, oras, vamos começar pelo começo, e no começo deu tudo certo. adendo posterior: uau, isso define a vida, não? #Emo

Eu e o Roberto acordamos cedo e fomos pegar o trem. Dentro de Paris, as linhas de metro são muito fáceis de entender, com várias placas e tudo mais, já os RER (trens/metro que circulam por toda a região Ile de France, onde ficam Paris e Versailles) são bem mais confusos e difíceis de entender. Sinceramente não sei o que dizer para ajudar alguém que esteja planejando a ida de Paris a Versailles, por que chegando nas estações vocês não vê placa nenhuma que te ajude, nem informações sobre o trajeto dentro dos trens. Eu segui as dicas que vi nesse blog, que me foram muito úteis. Mas isso não foi suficiente. Pelo que ela diz (e eu também percebi isso depois), tem uma linha que vai direto até a estação final em Versailles. Nós pegamos uma outra, tivemos que descer numa estação minúscula sem nenhuma placa e esperar outro trem sem nem ter certeza se era aquela que tínhamos que pegar. Quando esse outro trem chegou, vimos que era ele mesmo, já que estava cheio de turistas. Mas não sei dizer onde esse trem passa em Paris, muito menos por que nós seguimos todas as placas que indicavam “Château de Versailles” e acabamos pegando um trem que não ia exatamente pra lá. Eu suponho que tenha duas linhas que parem no mesmo lugar, e afinal de contas as duas te levam, de uma forma ou de outra, onde você quer chegar. Só que acho muito ruim não ter informações claras, levando em consideração que Versailles é um destino obrigatório para todo o mar de turistas que está em Paris diariamente. Eu imagino que qualquer francês habituado a viajar de trens entenderia tudo perfeitamente, mas para os turistas a falta de informações claras complica.

Finalmente chegamos à estação de Versailles, depois de meia hora, eu acho. Daí foi muito fácil, é só seguir todos os turistas e em poucos minutos chegamos ao castelo.

O dia estava bem bonito, com sol, apesar do frio. Tinha muitos turistas, naturalmente, mas não achei que estava tão lotado assim. A entrada do castelo é essa aí, que fica na parte de trás. Lá você pode comprar o bilhete de entrada, que não é unificado. A entrada no castelo principal é separada do Domaines de Marie Antoniette. Já o jardim é liberado gratuitamente para todos. Como não tínhamos muito tempo, já que eu precisa pegar minha carona as 17 horas em Paris, escolhemos entrar apenas no castelo principal e visitar os jardins. Não fiquei tão chateada de não ver a outra parte, por que pretendo ir lá de novo durante o verão, quando as fontes estão funcionando – comentário posterior: não o fiz.
Assim como no Louvre, não tive que pagar entrada, apenas apresentei minha declaração de residência fixa e meu passaporte.

Continuação tardia
Lá dentro, as coisas são muito legais. É oferecido gratuitamente um aparelho de áudio com várias explicações. Meus lugares favoritos eram os quartos, mas o famoso salão se espelhos também é maravilhoso, claro. Porém, fiquei um tanto irritada com os grandes grupos de turistas chineses que estavam lá, tirando mil fotos e falando super alto. Mas tudo bem.

Como já era outono, as estátuas dos jardins estavam todas cobertas por panos brancos e as fontes não estavam ligadas. Tudo continuava sendo muito agradável, mas com certeza vale mais a pena ir lá no período entre a primavera e o verão, ou então em pleno inverno, mas aí com uma sensação completamente diferente. De qualquer forma, acho que todos os momentos têm sua beleza, e o meio termo entre sol e frio que vi, com o inicio da preparação para o inverno, foi bem bonito.

Depois de comermos nossos sanduíches, voltamos para Paris. E aí sim a coisa ficou complicada. Pegamos um RER que parava numa estação em que podiamos fazer conexão para voltar para casa. Porém, no meio do caminho, eis que surge uma voz do além e, em baixa qualidade, anuncia que dali em diante não pararia em todas as estações previstas, que apenas uma parada seria feita a seguir e então seguiria direto ao aeroporto Charles de Gaulle. Olha, nunca fui nesse aeroporto, mas sei que é longe demais da conta! O que aconteceu é que estavamos ambos sentados e já mortos de cansaço. A cena poderia ser de filme: a voz fez o anúncio e, absortos em nosso cansaço, nem demos bola. Alguns segundos depois nos olhamos com cara de PUTAIN! CORRE!!! mas aí, minha gente, já era tarde. Então, fica a dica: os trens em Paris podem ser, além de complicados, sentimentais, mudando seu caminho a qualquer hora. Chato, não?

Então, fizemos uma viagem bem maior que o previsto até a tal estação antes do aeroporto, muito emputecidos. Chegando lá, ficamos uns 20 minutos esperando outro trem na direção oposta, com muito medo que aparecesse um fiscal, já que nossos bilhetes não eram válidos para o sentido contrário, mas não podiamos nos dar o luxo de pagar por outro. Até que finalmente chegou o trem e então ok.

Que ok que nada, porque alguém fez o favor de se jogar na frente do trem!!!!!!!!!!!!!!

Foi muito indignante. Suicídio é um tema delicado com qual todos deveríamos ter sensibilidade. Mas dá para perceber a má sorte que estavamos tendo. Passamos duas horas e meia parados.

Depois disso, acabei chegando atrasada até minha carona, que foi compreensiva. Voltamos apertados em 3 na parte de trás de um carro pequeno, com um piá que tinha bafo e outro que se considerava um produto satisfatório (??) do sistema de escolas de Belas Artes francês (??). Chegamos após o previsto em Lyon, não exatamente pelos meus 15 minutos de atraso e sim pelo congestionamento na saída da capital, de forma que já não havia ônibus na cidade.

Quem conhece Lyon sabe que na estação de Perrache há sempre um monte de famílias de ciganos dormindo, ou melhor, morando. Minha dúvida era se eu dormiria na praça ou com esse povo no túnel do tramway, já que minha carona não demonstrou nenhum remorso em me largar lá à uma da madrugada. Bem gente boa!

Mas como existem pessoas boas nesse mundo, a moça que veio esmagada comigo pediu para seu namorado, que a foi buscar, me levar até minha casa. Muito obrigada, moça!

E assim chegou ao fim minha estadia na cidade luz, a capital do amor, e caraca! Devia ter percebido que isso era mau agouro!!! #Brincadeirinha

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Sobre ser um reclamão

16 dez

Este foi um dos muitos textos que escrevi aqui no blog mas não publiquei. Se eu fosse publicar tudo o que escrevi teria mil posts, mas acabo achando tudo desnecessário depois que a vontade de desabafar passa. Enfim, aqui vai um texto sobre reclamar ou elogiar o país estrangeiro em que se está vivendo.

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O texto do francês sobre o Brasil realmente deu o que falar. Me mostraram hoje um texto resposta feito por uma brasileira que mora na França, que comenta quase todos os tópicos escritos por Olivier. O tom das suas respostas é bastante amargo, tanto que me passaram o texto mencionando “o ódio no coração” que vai aumentando a cada tópico.  Eu não sei dizer se foi apenas uma tentativa de ser cômica – não funcionou – ou se a moça realmente se sentiu bastante ofendida com os comentários feitos pelo francês.

(texto sobre o qual estou falando http://www.fodecast.com.br/curiosidade/brasileira-que-mora-na-franca-responde-as-observacoes-de-olivier/)

Claro, a primeira crítica a se fazer à lista de Olivier é a enorme generalização feita, definindo o Brasil através do pouco que ele conhece (Belo Horizonte), sem deixar isso claro. Oras, generalizar faz parte, mas seria legal se ele mencionasse na apresentação do seu texto qual é sua base de referência. De qualquer forma, por mais que ele frisasse que seus comentários são feitos baseados na pouca experiência que teve, na cidade X do estado Y, algumas pessoas continuariam a lê-lo como um europeu chato e metido, que se sente dono da razão e de todo mundo, e que não devia nada que ficar se metendo.

Eu o entendo. Por mais que eu tenha rido de boa parte de seus comentários, que me fizeram imediatamente pensar em pontos negativos muitos semelhantes da França, principalmente no que se refere à burocracia. A verdade é que é muito difícil não fazer comparações. Posso dizer sem medo de errar que isso é impossível? Acho que sim. É também muito difícil não ficar saudoso com o próprio país, não soltar um “No Brasil é assim” ou um “Eike vontade de tomar guaraná”…  Mas será que só porque me bateu uma vontade de comer um pão de queijo eu já me tornei uma reclamona? Não pode ser só as bixa se mexendo no meu estrombo? Ou o fato de eu achar baguette um pão muito duro e pouco prático já me torna uma “pessoa que não sabe se adaptar e decide atacar a cultura do outro”?

A impressão que dá é que pouco aceitam as comparações como uma coisa saudável e que nos leva a refletir. O bom senso tá aí pra que a gente não se torne o reclamão da turma, e é bom que a gente use. Mas eu realmente não vejo razões para que a gente ignore toda a quantidade enorme de informação que recebemos ao viver em um país estrangeiro, apenas em nome da… da sei lá o que, da finesse?

Ao mesmo tempo em que comparações não são muito bem vistas aqui no “outro país”, as pessoas do país natal também parecem não gostar muito quando a gente faz alguma comparação. A impressão que fica é sempre do recalque. Neste caso: pare de se achar porque está morando na Europa. No caso anterior: pare de falar do Brasil e aproveite a ryqueza da vida na Europa enquanto pode. Mesmo que você não tenha feito nenhum julgamento de qualidade (melhorXpior) e tenha se limitado a expor as diferenças.

Não tem como negar que muitas vezes a raiva, a solidão, a saudade, fazem com que a gente saia falando horrores do país novo. Assim como o deslumbramento nos faz transformar meros detalhes em maravilhas a serem apreciadas. E daí? Tudo tem seus dois lados, não é?  E é também evidente que mesmo no comentário mais imparcial que se faça, continua havendo predisposições, preconceitos, sentimentos ou mesmo falta de reflexão.  E sim, eu acho que o ideal é sempre buscar questionar suas próprias opiniões, debater, ouvir o outro.  Mas exigir parcialidade “jornalística” (HAHA) e rigor acadêmico em todos os momentos da vida é no mínimo chato.

Enfim! Pelo direito de reclamar, elogiar, comparar, comentar, se indignar (não terminei o texto antes e não vou terminar agora)

Brasil e França : comparações, eternas comparações

15 abr

Nessa semana, um texto escrito por um parisiense que mora em BH fez muito sucesso no facebook – ou, pelo menos, na minha timeline, cheia de professores e estudantes de francês. Nele, o autor lista nada menos que 65 características do Brasil, algumas bem óbvias, já bastante estereotipadas (todo mundo torce pra um time de futebol), e outras bem interessantes e curiosas. O texto está em português, logo foi pensado para nós brasileiros e recomendo a leitura a todos. Clique aqui para visualizar o texto de Olivier.

Meu amigo Ton me deu a ideia de escrever uma lista parecida e eu achei que seria um exercício interessante. Acabei modificando um pouco e vou comentar alguns dos pontos do texto original. Por hoje vou ficar com apenas três.

3-Aqui no Brasil, não se pode tocar a comida com as mãos.

Se alguém ainda não sabe, aqui os atendentes em geral pegam a comida com a mão mesmo, e é claro, o dinheiro também. Eu continuo achando isso nojento. Também não entendo o esquema de carregar bagette em baixo do braço. Geralmente ela vem embrulhada em um pedaço de papel que cobre apenas a parte central, ou num pacote de papel que é pequeno demais para que o pão caiba inteiro, então fica um bom pedaço pra fora, como na foto abaixo:

Escolhi essa foto com as pontas já comidas porque é assim mesmo, o povo vai comendo os pedaços no caminho pra casa. Até eu já fiz isso só pra ver qualéqueé e achei ruim, porque pão seco não é exatamente uma delícia. Também não sou fã da baguette porque ela não se encaixa no meu estilo de vida. Ela é grande demais pra uma pessoa só e não dá pra deixar para o outro dia, porque vira uma pedra do dia pra noite. Dizem que se colocar na geladeira e requentar no microondas fica bom, mas eu tentei e não deu certo. E eu definitivamente não sou do tipo que vai todo dia de manhã comprar pão fresco e sempre achei que o pão francês (aquele que só existe no Brasil) fica mais gostoso amanhecido. Já ia esquecendo de dizer que todas as vezes em que comprei uma baguette ela quebrou no meio enquanto eu voltava pra casa. Não sei se o problema sou eu ou se é preciso ser francês pra nascer sabendo como carregar baguette sem quebrá-la.

8- Aqui no Brasil, os homens se vestem mal em geral ou seja não ligam. Sapatos para correr se usam no dia a dia, sair de short, chinelos e camisetas qualquer e comum. Comum também é sair de roupas de esportes mas sem a intenção de praticar esporte. Se vestir bem também é meio gay.

Eu demorei cerca de dois meses pra parar de achar que todos os franceses eram gays. Sei que soa ridículo, mas mostra muito que o comentário feito por Olivier é verdadeiro: em geral, no Brasil, os homens não se vestem bem e quando se vestem, achamos que são gays. Mesmo em Curitiba, onde faz frio, o uso de cachecol por homens, por exemplo,  ainda não é muito comum. Apesar de eu achar que nos últimos dois invernos isso mudou um pouco, ainda parece que homem que usa cachecol é fashionista (gay! – dirão) e não só uma pessoa que não quer sentir frio e ter dor de garganta. Meu único amigo francês já fez comentários sobre sua roupa dizendo que  “isso está ‘in’ agora” e sim, todos pensamos “que gay”.

Em geral, os franceses – homens, mulheres e crianças também – são bem vestidos. Claro que sempre há exceções, mas as pessoas usam mais sapatos que tênis, as mulheres usam salto quase o tempo todo, os homens usam bolsa, etc. Eu trouxe algumas peças de roupa do Brasil que eu costuma usar só em ocasiões um pouco mais especiais e que aqui eu posso colocar pra ir no mercado sem me sentir arrumada.

Por outro lado, eu imaginava que as pessoas seriam mais criativas e individuais na maneira de se vestir, e percebi que a grande maioria se veste de forma muito parecida, seguindo evidentemente a moda do momento. Nas viagens que fiz para Berlin e Londres me pareceu evidente a diferença com a França: em Berlin vi muitas pessoas com estilos alternativos (do tipo que chama atenção mesmo) mas em geral as pessoas se vestem meio esculhambadas; em Londres a maioria se veste bem, mas percebi muito mais diferenças de estilo que na França, dando a impressão de que as pessoas tem mais estilo (próprio).

45-Aqui no Brasil, o povo é muito receptivo. E natural acolher alguem novo no seu grupo de amigos. Isso faz a maior diferencia do mundo. Obrigado brasileiros. 

Não vou dizer que franceses não sejam receptivos. Eles são muito legais, principalmente se for numa festa ou num bar. Mas em outros ambientes eles tem um jeito peculiar de ser que acabamos facilmente achando que é estupidez. Digamos que você chegue na faculdade um pouco cedo e encontre um francês que você conhece, e ele está conversando com alguém que você não conhece, bem em frente da sala em que vocês três terão aula. O conhecido irá provavelmente te dizer oi, perguntar como vai, virar as costas e continuar conversando com a outra pessoa. É uma situação muito constrangedora, porque você fica ali do lado feito uma porta, se sentindo super ignorado. Eles não te apresentam nem te fazem parte da conversa. No começo isso me chocou muito e eu achava que meus colegas de classe eram mal educados, ou não gostavam de mim. Conversando com outros brasileiros, percebi que todo mundo já passou por isso e então eu acho que dá pra dizer que é o jeito dos franceses mesmo e que não é nada pessoal. Agora eu já não dou bola e simplesmente coloco os fones de ouvido, porque na maioria das vezes é pior tentar participar da conversa. Isso é outra coisa muito peculiar: eles não conseguem conversar em grupo. Mais uma vez, não me refiro a ambientes de festa, mas na faculdade, no metrô, nos ensaios do coral… Eles mantém os olhos fixos em apenas um interlocutor, e além disso, as interrupções não são normais como para os brasileiros. Ou seja, se eu quero conversar, procuro alguém que esteja sozinho e inicio uma conversa nova, porque tentar entrar na conversa dos outros é missão (quase) impossível.  Por isso é muito fácil desistir de fazer amizade com os franceses e mais difícil ainda se sentir enturmado. Porém, isso não quer dizer que eles não queiram sua amizade. Eu gostaria que alguém tivesse me dito isso antes de eu chegar aqui, porque então talvez eu não tivesse me sentido tão excluída no começo. Na realidade, eu desisti de me enturmar com as pessoas da faculdade justamente por causa disso e agora eu acho que se eu soubesse dessas características teria sido mais fácil.

Outro dia continuo com outros comentários. Quem estiver curioso por algum em especial, pode pedir!

Olha a cobra!!! É mentira!!!

27 mar

Eu fiquei com a consciência meio pesada de sair falando por aí que eu acho que “francês fede um pouco sim, fazer o que”.  Pra contrabalancear, vamos falar de coisa boa, a nossa iogurteira TopTerm!!!!!

É verdade que francês é um povo grosso e mal educado?

É mentira!!!! 

(Faux é “falso” em francês. O moço do vídeo é bem engraçado -> Norman)

Por menor que seja a França em comparação com nossas terras tupiniquins, é preciso lembrar que existem grandes diferenças regionais. Assim como Pato Branco não é a mesma coisa que Londrina, Ilha do Mel ou Foz do Iguaçú, não é? Pois bem, eu não conheço a França toda. Pelo contrário, só visitei Paris! Então posso falar apenas da cidade onde moro, Lyon. Por mais que minha estadia seja um pouco curta, já foi o suficiente para perceber certas características do povo daqui.

Uma das primeiras coisas que se percebe ao chegar em Lyon é a politesse do dia-a-dia. É sempre preciso dizer as palavrinhas mágicas que nós deixamos de usar quando saímos da pré escola e não temos nenhuma professora para nos obrigar: com licença, bom dia, por favor, obrigada, tenha um bom dia.  Isso não quer dizer que as pessoas sejam abertas ou calorosas, nem que todas serão gentis com você, mas eu acho que é injusto dizer que francês é grosso sendo que em Curitiba a gente nem se dá ao trabalho de pedir por favor. Aí você me diz:

Ah, mas ninguém disse que curitibano é educado!!!!!

E não é mesmo.

Voltando aos lioneses: muitos me dizem que essa polidez não faz diferença nenhuma, porque não passa de uma regra do contrato social. Ou seja, as pessoas apenas pronunciam as palavras por obrigação, e não por ter real interesse nelas. É a mesma coisa que o “tudo bem?”, uma pergunta para qual não queremos nenhuma outra resposta que “Sim, e você?” e ai de quem resolver responder com sinceridade.  Como eu disse no parágrafo anterior, o uso dessas expressões não significa que as pessoas são todas gentis. Em qualquer lugar do mundo tem gente que sente prazer em tratar os outros mau, gente que acordou de mau humor, gente preguiçosa… E é também impossível afirmar que cada Bonjour dito expressa o desejo mais profundo da alma de que o dia do próximo seja uma maravilha. Mas eu tenho a impressão, desde minha primeira semana aqui, de que esse é um detalhe que deixa a vida um pouco mais leve. Sei que soa bobo, mas acho que isso contribui um pouco pra qualidade de vida, afinal é muito chato quando você diz bom dia para o cobrador do ônibus que você pega todo dia e ele simplesmente te ignora. Por outro lado, acho que minha opinião se baseia mais no meu atual desgosto com o curitiba way of life do que com qualquer outra coisa.

Outra coisa que me parece muito gentil é o hábito dos motoristas de ônibus de não sair o mais rápido possível quando veem alguém correndo pra conseguir alcança-lo. Pelo contrário, na maioria gritante das vezes eles apenas esperam que a pessoa chegue e entre. Já aconteceu comigo mais de uma vez, durante a noite, quando  o tempo entre um ônibus e outro é de meia hora, do motorista parar já em outra rua, bem longe do ponto, para que eu entre. Ao  meu ver, isso está bem longe da grosseria e da falta de educação. Seria apenas uma política da empresa de transporte? Não sei e não me importo, o que interessa é o ato de gentileza recebido que alegra meu dia, sendo bem cafona mesmo. 

Deixei aqui dois exemplos que serão provavelmente considerados bobos pela maioria, compreendo. Mas sei lá.

De resto, existe uma forte ideia de que o sul e o norte da França são bem diferentes, e de que o sul é mais educado. Eu não vou opinar sobre isso, posso apenas dizer que, ao meu ver, os lioneses são uns amores.

É isso.

Olha a cobra!!!! – É mentira!!!!!

18 fev

Quando cheguei aqui em Lyon, tudo era imediatamente analisado. O que era igual, o que era diferente, os clichês que crescemos ouvindo e tudo mais.  Com o tempo as coisas deixam de ser novidade e passam a ser cotidianas, e a gente até esquece que um dia se surpreendeu com elas. Por isso decidi escrever aqui no blog sobre essas coisas. No começo achei a ideia meio arriscada, pois comparar culturas é sempre difícil. Outros brasileiros que conhecem a França podem discordar totalmente do que eu escrever, e os que não conhecem muito do país podem ter a tendência de levar as coisas ao pé da letra, como se fossem regras definitivas sobre o dia-a-dia daqui. Por isso peço que todos entendam que tudo o que for escrito nessa categoria, assim como em todas as outras, será nada mais que  uma opinião de minha humilde pessoa, que às vezes ama os franceses e às vezes os odeia. Tudo aqui pode, e deve, ser discutido!

Então começo hoje a categoria Olha a cobra!!!, onde mostrarei minha opinião sobre os clichês que todos conhecemos, outras expectativas que eu tinha antes de chegar, e comentários aleatórios de coisas que me chamam atenção. A ideia é responder se eu acho que determinada coisa é verdade ou é mentira má oe! Tenho a impressão de que jamais será possível responder simplesmente sim ou não, e de que na maioria das vezes a resposta será “mais ou menos”, mas vamos lá.

Falando sobre clichês, deixo aqui um vídeo fofíssimo sobre o tema. Esse está em francês. Para vê-lo em inglês, clique aqui.

Bom, o primeiro tema dessa categoria será o mais óbvio de todos, claro! A pergunta número um de todos sobre a França:

tchan tchan tchan tchan!!!!!!!!!

torre-eiffel1

É verdade que francês fede?????

Todos os brasileiros já ouviram falam disso. A maioria também está convicto de que os perfumes franceses são bons e fortes pra tapar o fedor. O que eu posso garantir é que os perfumes europeus são realmente bons. São meio fortes demais pro meu gosto (não sou muito fã de perfume) mas mesmo sendo fortes me parecem mais agradáveis que os brasileiros. Agora sobre o futum…

A resposta é…

joinha auchan

Sim, é verdade. Pelo menos em parte.

Agora antes que aqueles que acham um absurdo concordar com um clichê venham me matar, vamos às explicações. É ÓBVIO que não é todo mundo. Por sinal, está longe de ser a maioria.

“Ai Steh, por que você diz que eles fedem então?”

Simplesmente porque fiquei chocada quando cheguei aqui. A questão não é exatamente a quantidade de pessoas que fedem, mas sim QUEM vai surpreender suas narinas. Pega um ônibus lotado em Curitiba e sinta várias pessoas fedidas. Você jamais vai olhar pra moça bonita e de vestido florido. Nem pro moço bem arrumado com gel no cabelo e óculos hipster. Pelo menos na minha opinião, nós estamos acostumados a relacionar o cheiro ruim a pessoas mal vestidas e esculhambadas. Em outras palavras, só é admissível que uma pessoa que não tem acesso a um banho esteja fedendo. Aqui não, o fatídico cheiro de CC vem das pessoas mais bem vestidas e penteadas. E eu achei isso é MUITO estranho. Ainda fico impressionada, e não sou só eu, muitos dos meus amigos concordam. O perfume tá ali, o cabelo cuidadosamente desarrumado também, mas desodorante que é bom, nada. Por isso, quando cheguei em Lyon, após uma semana já estava certa de que sim, tudo o que sempre dizem é verdade, eles fedem. E passar gel no cabelo, ou fazer uma linda trança, e não cuidar com o CC é meio contraditório.

Porém, com o tempo comecei a perceber que não é tão simples assim. Eu nunca perguntei nada pra francês nenhum por que seria extremamente mal educado, claro. Prestando mais atenção e tentando não ser muito simplista, encontrei duas possíveis respostas. A primeira é que eles tomam banho mas esquecem o desodorante. A outra, que me parece a mais provável e mais completa, é que a maioria das pessoas aqui se veste bem. Ou seja, a grande maioria dos franceses está sempre arrumado. As roupas aqui são mais acessíveis que no Brasil e as pessoas parecem estar mais conscientes do que vestem. Além disso, o transporte público, lugar onde essa história de fedor é mais perceptível, me parece ser utilizado por todos, enquanto no Brasil evitamos sempre que podemos pegar um busão. Por isso, fica aquela sensação de estranhamento, pois as pessoas mais bem vestidas no Brasil são geralmente as que nem chegam perto do transporte público. Em outras palavras, as diferenças entre classes e a relação que se coloca sobre futum é diferente na França e no Brasil.

Afinal, burguesia não fede né!!! Risos.

Então é isso minha gente, na minha percepção é compreensível quando alguém diz que os franceses fedem, não porque seja a maioria das pessoas, nem porque seja uma exclusividade daqui (por favor!) mas sim porque é evidente a diferença entre quem fede aqui e acolá.

OBS: Acho que o nome “Olha a cobra!!!” é compreensível né? Se não for, por favor me avisem. 

Variedades

27 nov

Nessa sexta feira, 23 de novembro, fui com meus amigos no show do Garbage!!! Foi uma coisa linda! Não ficamos horas na fila e ainda assim ficamos super perto do palco (na seguda/terceira fila). Conseguimos ver tudo de pertinho, com direito a Shirley Manson nos olhando diretamente nos olhos 😀 As pessoas também não ficam se esmagando nem te empurrando, como seria normal no Brasil. Eu sai de onde estava por um momento antes do show começar e quando voltei fiquei morrendo de vergonha de pedir pra passar na frente das outras pessoas que apareceram, mas o piá notou minha comunicação com meus amigos e me mandou passar, além de se oferecer para tirar uma foto da gente. (alguém tem que falar como os franceses são gente boa.)

Stupid girl, all you had you wasted. 

No fim de semana fiz uma viagem com o coral da universidade. Fomos para uma casa de retiros, digamos assim, numa montanha chamada Parménie, que fica em Izeaux, uma cidade bem pequeninha. De carro a viagem é super rápida, apenas uma hora do centro de Lyon.  Na estrada vi os Alpes, e é realmente muito bonito!

Ficamos lá sábado e voltamos às 15h do domingo, já que estava chovendo e então não dava para fazer uma caminhada. Achei uma pena, mas voltaremos lá em abril, quando o tempo supostamente já está bom.

Manhã de domingo. Névoa vinda do além se misturando às nuvens.

O tempo que passei lá foi muito agradável. Além de ensaiarmos dois dias seguidos, o que ajuda muito, foi uma oportunidade de conhecer as pessoas que fazem parte do grupo. Temos ensaio apenas uma vez por semana, numa quarta a noite, todos estão cansados e mal temos tempo de conversar nos 15 minutos de intervalo. Além disso, é natural que a gente se aproxime mais das pessoas que estão ao nosso redor enquanto cantamos, então tinha vários homens nesse fim de semana que eu nunca tinha nem visto! hehehehe. Nos divertimos muito, conversamos, comi mexirica, me explicaram coisas sobre a política francesa, várias coisas. Um momento que eu adorei foi no fim da janta de sábado, quando do nada as pessoas começaram a cantar uma música que eu obviamente desconheço, mas é tipo uma coisa medieval sobre comer e ir para a batalha. Lágrimas de emoção pela beleza do momento. Praticar francês também não foi nada mal.

Já na residência André Allix, continuamos tendo surpresas desagradáveis com uma frequência assustadora, o que levou as pessoas a fazerem isso:

Por favor, mantenham os banheiros limpos. Acho que o resto é auto explicativo.

De resto, estou frustrada pela falta de músicas para ouvir, já que o torrent é bloqueado aqui. Se quiser baixar qualquer coisa, tenho que ir no Mac Donalds, oq eu TENHO QUE EVITAR, visando minha saúde e estética. Então ainda não consegui ouvir o novo cd do Bat for lashes (o dó). Fica aqui o vídeo de All your Gold de qualquer forma:

Enfim.

Residência Universitária André Allix

23 set

A residência universitária André Allix é o lar doce lar de muitos estudantes lioneses, sejam eles estrangeiros ou não. Ó a alegria de ter um quarto para morar, num país que sofre com a crise de moradia! Já seria bastante bom se fosse apenas um lugar para morar, mas o que eu gosto mais é que ela ainda por cima tem um charme todo especial! Vou mostrar pra vocês nesse post essa parte que eu acho tão bonita da residência, assim como a parte boa porém bem menos cativante em que eu moro, e também seus detalhes negativos, por que nem tudo é perfeito né minha gente?

História

Primeiramente, gostaria de dizer que eu gosto muito de portas. Alguma relação com The open door é possível, mas não com o The Doors. Então, apesar de já ter visto algumas fotos online antes de vir para França, me surpreendi muito com a beleza da entrada da residência. Fico sempre muito admirada quando passo por aqui:

Deixa eu entrar aqui pelo portão de casa.

Muito amor por essa porta. Passar por essa entrada não é a forma mais rápida de chegar ao meu prédio, porém ela é tão bonita que eu topo andar mais e até subir aquele morrinho que tem logo ali. Risos.

Obviamente essa porta não foi posta aí lá pela década de 80. Na realidade, ela não é tão antiga, data do século XX, mas o fato é que Lyon é uma cidade com muita história. Eu poderia sair jogando umas dadas aqui e dizendo que um imperador chamado Cláudio nasceu em Lyon (o que é verdade!), mas não quero correr o risco de falar MUITA asneira (apenas algumas). Então eu vou focar apenas nas asneiras básicas, e deixo a pesquisa wikipediana sobre a história de Lyon para outra madrugada. Mas porque eu tive que dizer que Lyon tem muita história então? Oras, para lhes dizer que logo que passamos pelo portal mágico, podemos ver ruínas de um aqueduto romano, sim!

É uma pena que não esteja bem conservado. Tem também um aviso que diz para sermos cautelosos devido ao risco de desmoronamento. oO

Até onde eu sei, os romanos começaram a se instalar na cidade justamente nessa região alta em que estou, mais especificamente onde se encontra a Basilique Notre Dame de Fouvrière, que é bem perto daqui, então não é de se surpreender com essas ruínas, já que podemos encontrar outras em várias partes da cidade.

Muito tempo depois dos romanos, em 1832, foi construído o Forte militar, chamado Saint Irénée como a Igreja que fica logo em frente (post sobre ela em um momento futuro):

Forte a esquerda, igreja Saint Irénée no centro e entrada da residência a direta.

Lá por 1920, o local foi cedido pelo  exército para a Université Lyonnaise, e se tornou sede do Instituto Franco Chinês, como podemos ver ainda marcado no portal de entrada:

E,finalmente, o local se tornou residência universitária em 1955.

E agora?

Agora vamos à parte atual da coisa! Com o passar dos anos, outros prédios foram sendo construídos no terreno, sendo atualmente 9 no total. Existem 4 tipos diferentes de quarto. O “Vieux Fort” (velho forte), por exemplo, é atualmente a parte chique da Allix, onde cada um mora em um studio de 18 m², com banheiro e cozinha privativos, o que é o cúmulo do luxo.

Obviamente, meu desejo era desde o princípio um quarto com banheiro individual, pois a ideia de dividir banheiro durante um ano não me parecia nada agradável. Consegui apenas um quarto simples, com banheiro e cozinha coletivos, e no fim das contas estou muito satisfeita, pois não é tão ruim quanto parece!

O quarto em si é bastante confortável. Eu gosto da cor dos móveis e gosto dos moveis em si, já que sei que em alguns outros prédios as mesas e também a prateleira (por falta de uma palavra melhor no momento) são bem menores que essas que temos. Também não esperava ter um frigobar, já que o site não dizia nada a respeito, e ele é realmente muito útil. Sem um frigobar não poderia manter vários itens que pra mim são básicos, tipo leite. ;D Fui surpreendida positivamente!

Comparando com os quartos em que há banheiro individual, o móvel que temos é bem pequeno, mas dá pro gasto. Logo ao lado da porta tem um armário que deve ser na verdade o guarda roupa, mas ele é feito de madeira compactada e não tem um forro, então sai pedaços de madeira sabe? Eu jamais vou colocar minhas roupas ali, uso para as louças e produtos de limpeza.

Todos os dias, para não correr o risco de focar nos pontos negativos, gosto de prestar atenção nas coisas boas que tenho aqui no quarto, mesmo as mais banais. Bem, primeiramente, tenho um quarto! Além das coisas que já citei, a torneira da pia é daquelas que você vira pros lados para regular a temperatura da água, o que é muito mais prático que ter duas torneiras, uma quente e outra fria, já que eu nunca consigo deixar a água boa nesse tipo de torneira. É bobeira isso, mas acho legal. Estou também no último andar do prédio, então não fico ouvindo barulhos vindos do teto. E aliás, me desculpe vizinh@ de baixo, juro que não derrubo as coisas de propósito. Estar no último andar faz com que o corredor seja mais calmo, por que praticamente apenas os moradores desse corredor se dão o trabalho de subir as escadas. Tenho também uma vista bonita, e sei que não tem ninguém me observando quando estou sentada em minha mesa (daqui consigo ver as pessoas dos outros prédios do 2º e 3º andares, mesmo quando elas estão sentadas e “escondidas” atrás do vidro fosco. Enfim, são vários detalhes que gosto de lembrar para ver que estou num quarto muito bom.

Ou seja: se você está em Lyon, ou virá um dia: não se desespere caso não consiga um quarto com banheiro! Não é tão ruim quanto parece! No começo é chato, mas a gente se adapta!

Porém, como disse lá no começo, tem algumas coisas que são um pouco desagradáveis, mas com as quais temos que conviver. A que mais me incomoda é a falta de acessibilidade da residência, que fica num lugar bem alto. A única opção de transporte público para chegar aqui é o ônibus, que é com certeza o pior meio de transporte em Lyon. Os metros e tramways não demoram pra passar, mas os ônibus demoram cerca de 20 minutos para passar durante o dia e uma hora inteira durante a noite, além de saírem de circulação a meia noite. Para quem faz bastante farra (maioria das pessoas aqui, oi?) existe alguns madrugueiros, mas eles saem de alguns pontos específicos e também de hora em hora. Eu não faço farra e já sofro para voltar dos ensaios do coral 😦 Chá de cadeira no terminal (continuo chamando “estação” de “terminal”)!!! Ir daqui para o centro de bicicleta é uma boa opção, porém eu não sei andar de bicicleta e jamais arriscaria descer essa colina. Desastrada do jeito que sou, seria suicídio! Agora, voltar a pé ou de bike eu já acho MUITO empenho. Pra vocês terem uma noção, quando descemos daqui de ônibus, dá pra sentir a diferença de pressão no ouvido (eu sinto pelo menos). Acho isso uma loucura.

Tá vendo a Igreja lá em cima? Estou mais ou menos na mesma altura, mas acho que essa foto não é muito representativa (além de estar tremida). Nela não dá pra ver tanto assim como é longe. E ainda por cima, a subida é cheia de curvas, sempre fico com a impressão que vou cair do banco. O mais impressionante é ver os idosos sentados tranquilamente com cara de paisagem, como se aquilo não parecesse um passeio num parque de diversões.  Enfim. Apesar de achar a Allix muito bonita, e da região aqui ser muito charmosa, acho que vale a pena ficar numa outra residência menos fofa porém melhor localizada.

Especificamente sobre o tipo de prédio que estou, onde o banheiro e a cozinha são compartilhados, acho que é obvio para todos que ter que dividir esses ambientes não é a melhor coisa do mundo. Para quem vem pra cá e consegue um quarto com banheiro individual, ótimo, você se deu muito bem! Se você não topa ter que dividir banheiro e tem dinheiro pra pagar um studio pra você, maravilha também, money is the answer. Agora, se você tem dinheiro contado como eu, é bom rezar para ter vizinhos limpinhos.

E como é que funciona?

No meu prédio, as cozinhas são ruins. Ponto. Se quer temos uma mesa e temos que cortar os ingredientes no quarto, por que a pia tem aquelas ondulações que só servem pra atrapalhar. O microondas pelo menos funciona bem. EDIT: não, ele não funciona bem. Além de estar sempre sujo, agora toda vez que alguém usa ele demais, ficamos sem luz no banheiro. Maravilhoso.

Pia no seu estado padrão de sujeira, sempre com macarrão, pq sempre vai ter alguém comendo macarrão!

Perceba que não temos chuveiros. É só um cano mesmo.

O banheiro parece pequeno (4 wcs e 6 duchas) mas nunca aconteceu de eu ter que esperar pra usar e raramente tem duas pessoas tomando banho ao mesmo tempo. Durante a semana ele é limpo no período da manhã pela tia da limpeza que bota ordem no pedaço e briga com quem deixou o lixo do lado de fora no corredor. Nos fins de semana é que a coisa pode ficar russa, pois ela não vem limpar. Em cada wc tem uma daquelas escovas para limpeza do vaso, caso você tenha tido um bad day estomacal, e as pessoas que tem um pingo de respeito a usam, porém sabemos que não são todos. No final de semana passada não pudemos usar nosso banheiro no domingo, e todos ficaram revoltados. Muitos bilhetes foram colados pelas paredes mandando a pessoa… é. Se não me engano o dito cujo foi embora essa semana. Ou seja, isso depende muito dos seus vizinhos, e isso é completamente aleatório. Fácil acredito que nunca vai ser, por que as pessoas tem hábitos diferentes e tudo mais, mas até o momento, está ok (na maioria das vezes).

Ufa! Chega né?