Último dia em Paris: Versailles e os trens do mal

19 abr

Finalmente resolvi contar sobre meu último dia em Paris! Texto escrito em dois momentos: em algum dos muitos dias desocupados em Lyon, e outro agora, direito do interior da Venezuela. Ai como sou ryca e viajada!
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Lyon resolveu ter seu momento curitibano e trouxe muita chuva nessa segunda-feira de outono. As roupas para lavar e as compras a fazer foram deixadas para trás, substituídas por café e bolachas de chocolate. Então, quase um mês depois, finalmente resolvi vir aqui contar sobre o último dia de minha visita a Paris.

Como já disse em outro post, desde o início meus planos para a viagem deram errado. A ideia era visitar o castelo de Versailles na quinta feira, dia de pouco movimento. Foram várias coisas que fizeram com que eu fosse adiando cada vez mais essa viagem, e no final bateu aquele desespero achando que não ia conseguir ir. Mas eu queria muito visitar o castelo, e ficaria indignadíssima se não fosse, então eu fui no último dia, mesmo sabendo que isso poderia atrapalhar minha volta pra casa, que seria de carona, assim como a ida. Sabe quando você sabe que alguma coisa vai dar errado? Então, eu sabia. E é claro que realmente aconteceram alguns imprevistos bizarros!!!

Mas, oras, vamos começar pelo começo, e no começo deu tudo certo. adendo posterior: uau, isso define a vida, não? #Emo

Eu e o Roberto acordamos cedo e fomos pegar o trem. Dentro de Paris, as linhas de metro são muito fáceis de entender, com várias placas e tudo mais, já os RER (trens/metro que circulam por toda a região Ile de France, onde ficam Paris e Versailles) são bem mais confusos e difíceis de entender. Sinceramente não sei o que dizer para ajudar alguém que esteja planejando a ida de Paris a Versailles, por que chegando nas estações vocês não vê placa nenhuma que te ajude, nem informações sobre o trajeto dentro dos trens. Eu segui as dicas que vi nesse blog, que me foram muito úteis. Mas isso não foi suficiente. Pelo que ela diz (e eu também percebi isso depois), tem uma linha que vai direto até a estação final em Versailles. Nós pegamos uma outra, tivemos que descer numa estação minúscula sem nenhuma placa e esperar outro trem sem nem ter certeza se era aquela que tínhamos que pegar. Quando esse outro trem chegou, vimos que era ele mesmo, já que estava cheio de turistas. Mas não sei dizer onde esse trem passa em Paris, muito menos por que nós seguimos todas as placas que indicavam “Château de Versailles” e acabamos pegando um trem que não ia exatamente pra lá. Eu suponho que tenha duas linhas que parem no mesmo lugar, e afinal de contas as duas te levam, de uma forma ou de outra, onde você quer chegar. Só que acho muito ruim não ter informações claras, levando em consideração que Versailles é um destino obrigatório para todo o mar de turistas que está em Paris diariamente. Eu imagino que qualquer francês habituado a viajar de trens entenderia tudo perfeitamente, mas para os turistas a falta de informações claras complica.

Finalmente chegamos à estação de Versailles, depois de meia hora, eu acho. Daí foi muito fácil, é só seguir todos os turistas e em poucos minutos chegamos ao castelo.

O dia estava bem bonito, com sol, apesar do frio. Tinha muitos turistas, naturalmente, mas não achei que estava tão lotado assim. A entrada do castelo é essa aí, que fica na parte de trás. Lá você pode comprar o bilhete de entrada, que não é unificado. A entrada no castelo principal é separada do Domaines de Marie Antoniette. Já o jardim é liberado gratuitamente para todos. Como não tínhamos muito tempo, já que eu precisa pegar minha carona as 17 horas em Paris, escolhemos entrar apenas no castelo principal e visitar os jardins. Não fiquei tão chateada de não ver a outra parte, por que pretendo ir lá de novo durante o verão, quando as fontes estão funcionando – comentário posterior: não o fiz.
Assim como no Louvre, não tive que pagar entrada, apenas apresentei minha declaração de residência fixa e meu passaporte.

Continuação tardia
Lá dentro, as coisas são muito legais. É oferecido gratuitamente um aparelho de áudio com várias explicações. Meus lugares favoritos eram os quartos, mas o famoso salão se espelhos também é maravilhoso, claro. Porém, fiquei um tanto irritada com os grandes grupos de turistas chineses que estavam lá, tirando mil fotos e falando super alto. Mas tudo bem.

Como já era outono, as estátuas dos jardins estavam todas cobertas por panos brancos e as fontes não estavam ligadas. Tudo continuava sendo muito agradável, mas com certeza vale mais a pena ir lá no período entre a primavera e o verão, ou então em pleno inverno, mas aí com uma sensação completamente diferente. De qualquer forma, acho que todos os momentos têm sua beleza, e o meio termo entre sol e frio que vi, com o inicio da preparação para o inverno, foi bem bonito.

Depois de comermos nossos sanduíches, voltamos para Paris. E aí sim a coisa ficou complicada. Pegamos um RER que parava numa estação em que podiamos fazer conexão para voltar para casa. Porém, no meio do caminho, eis que surge uma voz do além e, em baixa qualidade, anuncia que dali em diante não pararia em todas as estações previstas, que apenas uma parada seria feita a seguir e então seguiria direto ao aeroporto Charles de Gaulle. Olha, nunca fui nesse aeroporto, mas sei que é longe demais da conta! O que aconteceu é que estavamos ambos sentados e já mortos de cansaço. A cena poderia ser de filme: a voz fez o anúncio e, absortos em nosso cansaço, nem demos bola. Alguns segundos depois nos olhamos com cara de PUTAIN! CORRE!!! mas aí, minha gente, já era tarde. Então, fica a dica: os trens em Paris podem ser, além de complicados, sentimentais, mudando seu caminho a qualquer hora. Chato, não?

Então, fizemos uma viagem bem maior que o previsto até a tal estação antes do aeroporto, muito emputecidos. Chegando lá, ficamos uns 20 minutos esperando outro trem na direção oposta, com muito medo que aparecesse um fiscal, já que nossos bilhetes não eram válidos para o sentido contrário, mas não podiamos nos dar o luxo de pagar por outro. Até que finalmente chegou o trem e então ok.

Que ok que nada, porque alguém fez o favor de se jogar na frente do trem!!!!!!!!!!!!!!

Foi muito indignante. Suicídio é um tema delicado com qual todos deveríamos ter sensibilidade. Mas dá para perceber a má sorte que estavamos tendo. Passamos duas horas e meia parados.

Depois disso, acabei chegando atrasada até minha carona, que foi compreensiva. Voltamos apertados em 3 na parte de trás de um carro pequeno, com um piá que tinha bafo e outro que se considerava um produto satisfatório (??) do sistema de escolas de Belas Artes francês (??). Chegamos após o previsto em Lyon, não exatamente pelos meus 15 minutos de atraso e sim pelo congestionamento na saída da capital, de forma que já não havia ônibus na cidade.

Quem conhece Lyon sabe que na estação de Perrache há sempre um monte de famílias de ciganos dormindo, ou melhor, morando. Minha dúvida era se eu dormiria na praça ou com esse povo no túnel do tramway, já que minha carona não demonstrou nenhum remorso em me largar lá à uma da madrugada. Bem gente boa!

Mas como existem pessoas boas nesse mundo, a moça que veio esmagada comigo pediu para seu namorado, que a foi buscar, me levar até minha casa. Muito obrigada, moça!

E assim chegou ao fim minha estadia na cidade luz, a capital do amor, e caraca! Devia ter percebido que isso era mau agouro!!! #Brincadeirinha

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Colônia Tovar

16 abr

Finalmente saí um pouquinho de Caracas!  E lá vão algumas fotinhos!

Neste fim de semana visitei a Colônia Tovar, uma cidadezinha que fica no estado de Aragua, ao oeste de Caracas. A viagem de carro foi super rápida,  cerca de 1 hora e meia (57 km),mesma distância que estou acostumada a fazer na rota Curitiba-Rio Negro. A volta, por outro lado, demorou muito mais, já que ficamos 1 hora presos num congestionamento, como é de praxe na Venezuela.

IMG_1009Como se vê, é uma colônia alemã. Nessa foto está a igreja da cidade, que curiosamente é católica, e não luterana. Destaque para o cachorro, divando logo à entrada.

IMG_1016Espiando a missa

A cidade é irmã de nossa querida Blumenau, por razões óbvias, mas é muito menor. Seu sustento é a base de turismo e do plantio de frutas vermelhas, verduras, legumes e flores, que são vendidos em feiras por quase toda a cidade.

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IMG_1002Tudo o que vi estava muito bonito. Tanto os legumes quanto as frutas eram muito grandes e com cores vivas. Não resisti e comprei uma bandejona de morangos. O preço pode ter uma pequena variação entre as barracas, então comprei na mais barata, por 60 bolívares.  É incrível como o clima da Venezuela é maravilhoso, permitindo a produção de frutas vermelhas, que se encontram facilmente por aqui por um preço baixo. Bom, nada aqui é efetivamente barato além da gasolina, mas em comparação com o preço geral das coisas, é bem barato.  Comparando com o Brasil então, nem se fala.

Além disso, vendem-se várias outras coisas, como vinhos, geleias e molhos variados, tudo produzido lá. Além dos morangos, comprei um pacote de suspiros e fiz minha sobremesa favorita em casa, merengue. Para mim, morango com suspiros já configura merengue. Se você acha que não, okay, respeito sua opinião. Mas você pode também apenas provar o prato mais típico do lugar, que são as fresas con crema, ou seja, morango com chantilly. Eu não provei por dois motivos: primeiramente porque algo me dizia que não seria tão saboroso quanto o merengue da minha avó (já que não tem suspiros e não tinha certeza se o chantilly seria feitincasa) e não quis me decepcionar; e também porque já me havia empanturrado com um perro caliente alemán, que é um cachorro quente com repolho, que só me lembro de ter comido na casa do meu querido opa Stefan, e acho delicioso. Tem também o perro caliente polaco, que tem uma linguiça diferente. Aliás, tive a leve impressão de que o que me deram foi o polaco (a vina era brancona) e meu amigo Javier acabou com o alemão (com aquela vina vermelha gigante). Mas não entendo muito de linguiça pra sair julgando. De qualquer forma, estava muito bom. Se não me engano, o dogão custou 90 bolívares.

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1509992_10201940305124387_1422545643168574865_nJunto com os dois pacotes de suspiro, compramos também essas bolachas. Os três saíram por 100 bolívares.

Como é de se esperar de uma pequena colônia, não há muito o que fazer além de comer e andar pela cidade. Eu achei o local muito bonito e agradável. É muito parecido com um pequeno povoado que fica no Ávila (montanha de Caracas) e que visitei no mês anterior, só que é bem mais bonito. Também não é nada impressionante para quem é do sul do Brasil, mas é com certeza bem divertido e me fez sentir em casa. Não estava fazendo exatamente frio, porém o vento estava geladinho, o que foi um alívio. O clima da Venezuela é peculiar e eu ainda não entendo muito bem, mas pelo que me foi dito, a melhor época do ano para visitar a colônia seria no “inverno”, entre Julho e Agosto, quando há mais flores.  Isso, para mim, não faz o menor sentido, já que no inverno as flores deveriam todas morrer de frio, coitadas. Mas aqui não, é tudo esquisito.

IMG_1027Rosa

Ah, e claro! Sendo uma colônia alemã, não poderia faltar a produção de cerveja (por mais que, pelo que disseram, a fábrica tenha sido movida de lá). Provei a achei muito boa, porém não se encontra em todos os estabelecimentos.

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É isso.

Saga ruiva 2 – Alergia e Mix

17 mar

Contrariando minhas expectativas, após a descoloração com soap cap que fiz e contei aqui, as coisas foram até que bem simples! Algumas chatices aconteceram, mas foi tudo fácil de resolver e nada me irritou tanto quanto no começo, já que o cabelo não estava mais horrível. Vamos continuar de onde parei:

O soap cap deixou o cabelo com uma cor bem satisfatória. Não foi necessariamente o que eu esperava, mas a verdade é que eu sabia que não conseguiria um tom exato e específico (muito difícil!) e por isso estava pronta pra qualquer coisa. Por sorte, acabei gostando bastante da cor. Poderia até ficar um tempo sem tingir novamente, mas tive a impressão de que a descoloração abriu demais as escamas, deixando o cabelo ressecado e com cara de mal cuidado. Por isso, decidi comprar uma tinta e selecionei a Majirel 7.4, por ser mais barata que a Keune, ser fácil de encontrar e ter resultados lindos em várias pessoas.

Com minhas experiências anteriores, já sabia que minha raiz abre fácil demais, então usei ox 30 no comprimento e de 20 na raíz. O problema foi que não encontrei oxigenada da Loreal para comprar e acabei escolhendo da Yamá, pois já conhecia a marca. Misturei dois terços de um tubo de Majirel com a oxigenada de 30 e assim que iniciei a aplicação comecei a sentir uma coceira na pele. Continuei mesmo assim, e misturei o último terço da tinta com a ox de 20, para aplicar na raiz. A coceira continuava mas achei melhor continuar mesmo assim,  até que cheguei na parte de cima da cabeça e não pude suportar a ardência nos olhos. Consegui deixar a tinta agir por menos de 10 minutos (fui bem insistente) e fui para o chuveiro lavar os cabelos. O resultado, na verdade, foi bem bom: a cor ficou praticamente a mesma que estava só com o soap e com cara de mais saudável. O único problema foi que a tinta não teve tempo de reagir na parte de cima e a raiz continuou castanha, pois houve um certo intervalo de tempo entre todos esses procedimentos, dando tempo da raiz aparecer. #Chateada

No dia seguinte, fui até a loja de cosméticos em que tinha comprado a tinta e contei o ocorrido. Para igualar a raiz, me indicaram um tonalizante da Alfaparf, por ser mais suave e poder até ser usado por grávidas e pessoas que fazem tratamento de quimioterapia, segundo a vendedora. Comprei a 7.0, pois era o que tinha, com sua emulsão reveladora, e misturei com o banho de brilho Cobre da Keraton, que já tinha em casa, dando assim o tom acobreado. Surpreendentemente, deu certo! Continuei com coceira no corpo todo por umas duas semanas, mas estava com o cabelo bonito, então tudo bem! hahaha

Depois disso, decidi que bastava retocar a raiz. Claro, fiquei tentada a tingir o cabelo inteiro no mês seguinte, mas acabei me convencendo que não era necessário, pois danificaria muito o fio e acumularia tinta, causando escurecimento. Devido à alergia, fiquei bem preocupada, pois achei que a culpada poderia ter sido a tinta Majirel, afina, eu já tinha utilizado oxigenada da Yamá antes e nunca tive problemas. Estava feliz com a cor e não queria ter que mudar novamente de tinta e correr o risco de estragar o que tinha conseguido. Como minha mãe também pinta o cabelo, ela comprou uma Majirel do tom dela e eu fiz a aplicação, dessa vez com oxigenada da Loreal também e não tive problema nenhum. Então, decidi arricar e no mês seguinte comprei novamente a Majirel 7.4 e apliquei 1/3 do tubo na minha raiz com ox de 20 da Loreal. Por sorte, nada de alergia! 

O problema dessa vez foi que, mesmo com a oxigenada mais baixa, de 20 volumes, e o tempo de pausa curto (cerca de 15 minutos), a raíz ficou mais clara que o comprimento. Não foi nada demais e, na verdade, mal se notava. Mas eu podia ver que a raiz tinha um tom muito mais dourado, e bem bonito, sendo que o resto do cabelo puxava muito mais pro laranja e pro vermelho, dependendo da iluminação. Minha explicação pra isso é que esse tom da Majirel tem muito dourado na composição, apesar de não ter reflexo .3 em seu nome. É por isso que em muitas pessoas ela desbota pro loiro facilmente. Uns amam, outros odeiam. Esse é um pouco o problema das tinturas: cada uma tem sua fórmula e as numerações servem como base mas não representam necessariamente a realidade. Bom, meu fio natural também tem reflexos dourados e por isso acabou abrindo pra um tom de ruivo muito mais claro, puxando pro loiro e sem nada de laranja nem de vermelho. Ou seja, no meu fio virgem, essa tinta abre quase pra um strawberry blond. Já o comprimento, que já foi tingido de preto e vermelho, a tinta reagiu de outra forma, mesmo após as muitas decapagens.

Eu achei o tom da raiz bem lindo, mas com tempo e os outros retoques, se notaria mais a diferença com o comprimento e eu não estava nem um pouco disposta a continuar tentando clarear meu tom.  Era evidente que o reflexo que me faltava era o vermelho, pois o meu comprimento por vezes mostrava essa cor, e por outras refletia laranja, sobre tudo ao sol. O laranja se consegue justamente com a junção de reflexos dourados com vermelhos, por isso supus que um mix 0.6 (vermelho) me bastaria. Então, quando chegou a hora de retocar mais uma vez, comprei o mix da Wella e adicionei uma quantidade minúscula à minha mistura de 1/3 de Majirel com cerca de 40 ml de ox 20. Esses mix são fortíssimos e é necessário sempre ter muito cuidado com eles. Eu coloquei mais ou menos 1,5 cm, mas fiz isso no chute. O resultado foi perfeito! O reflexo deu super certo com o comprimento.

Desde que descobri que precisava do mix, retoquei a raiz 3 vezes e não mexi no comprimento. Os resultados tem sido super satisfatórios todas as vezes. Aí eu fico pensando, será que um cabeleireiro iria se tocar disso? Eu acho que só se for algum especialista em ruivo acobreado mesmo. O fato é que se eu fosse num profissional e saísse com a raiz mais clara após utilizar uma ox mais baixa que no comprimento com a mesma tinta, eu iria pensar simplesmente que não tinha solução. Iria achar que meu cabelo é louco assim mesmo. Como eu mesma faço tudo, acabo conhecendo melhor meu próprio fio. Isso não significa que tudo sempre dá certo. Pelo contrário, como se vê, muita coisa deu errado. Mas com o tempo você vai aprendendo a encontrar as soluções mais adequadas para você, e elas quase nunca são as mesmas para uma outra pessoa. Basta ter paciência de pesquisar bastante ao invés de sair fazendo tudo na louca.

eu no parqueLaranja no sol de Caracas, cara de boba após tomar sorvete de maracujá 

Venezuela for dummies – o que você precisa saber antes de viajar

16 mar

Sei que a Venezuela não é exatamente o destino número 1 na lista de desejos da maioria das pessoas. Na verdade, é mais provável que ela não figure sequer no top 20. Isso é uma lástima, já que o país tem atrações lindíssimas, com grande destaque para suas praias caribenhas, o monte Roraima e o Salto Ángel, a catarata mais alta do mundo. Além disso, é possível encontrar passeios para todos os gostos, sendo possível sair da praia na lha de Los Roques e ir para Mérida aproveitar a neve e a vista dos Andes.

Salto Ángel

Apesar de poucos conhecerem as razões para conhecer a Venezuela, muitos estão conscientes dos motivos pelos quais não vir para cá, sendo a violência, sem dúvida, o maior entre eles. Obviamente, é preciso estar consciente e bem preparado. É comum nos sentirmos relaxados durante viagens, esquecendo de tomar cuidado dos nossos pertences, principalmente em locais muito turísticos, quando estamos entretidos em tirar fotos. É por isso que muitos são roubados em viagens à Europa, mesmo ela sendo mais segura que o Brasil. No caso de países com alto índice de criminalidade então, a atenção deve estar sempre redobrada.

Isso, porém, não é nenhuma exclusividade daqui. A coisa sobre a qual eu considero mais importante saber e que é, esta sim, uma peculiaridade venezuelana, é o Câmbio negro. 

E o que é isso? 

O governo venezuelano tem controle das divisas e, por isso, não se pode comprar moedas estrangeiras a qualquer momento, nem em quantidade livre. Tanto para compras online quanto para viagens internacionais, existem sistemas de controle e de autorização para compra de outras moedas. O valor pago pelos venezuelanos através desse sistema é bastante justo – nesse momento, o dólar está cerca de 6 bolívares, sendo que em reais é cerca de 3 –  porém, devido ao limite de compra (nem um pouco democrático, diga-se de passagem), o que acontece é que existe um mercado paralelo de compra e venda. Como o bolívar não é uma moeda estável, o preço do dólar tende a estar sempre subindo e, por isso, os venezuelanos são obcecados por ter dólares e guardá-los para quando precisar.

dólares, dólares

E o que isso significa para um turista em potencial? 

Significa que seu dinheiro (dólares ou euros – ninguém se interessa em ter reais) se multiplicará e multiplicará de acordo com o mercado paralelo. No caso, um dólar agora vale uns 80 bolívares, enquanto um euro vale 110. É claro que para nós, que ganhamos em reais, o lucro não é tão grande, mas ainda assim acaba custando menos que uma viagem dentro do Brasil. Há pacotes para Margarita, por exemplo, que incluem ida e volta de Caracas, hospedagem com comida e bebidas à vontade por menos de 1000 bolívares o dia, ou seja, menos de 40 reais.

Parece ótimo!!! Vamos então ver quais são os contras:

Como trocar meus dólares no mercado paralelo? 

Me parece no mínimo estranho sair perguntando por aí  “E aí, quer comprar uns dólares?!?”, mas é assim mesmo. Em qualquer lugar se encontra cambistas. O problema é que pode ser que você acabe vendendo sem saber o valor exato do bolívar naquele momento, e saia no prejuízo. Além do risco de mostrar todo seu dinheiro assim para um desconhecido, num país com taxas alarmantes de criminalidade. Por isso,  o melhor, para quem pode, é já ter seus contatos prévios – do tipo “o primo do amigo do meu vizinho conhece alguém” – e conferir os preços no dolartoday.com  Quem não tem conhecidos terá que trocar com cambistas mesmo, e torcer para não esbarrar em nenhum mal intencionado.

Posso usar cartões de crédito ou travel cards? 

Em princípio sim, mas na verdade, não. Se você usar algum cartão, estará necessariamente pagando pelo câmbio oficial, e seu prejuízo será enorme. Como dito anteriormente, oficialmente 1 dólar é apenas uns 6 bolívares e aí, meu amigo, você será pobre, bem pobre, pois as coisas aqui são caras (40 bolívares um pão, 300 uma garrafa de rum). Mas, de qualquer forma, até onde me consta, os cartões internacionais simplesmente não funcionam direito, e eu imagino que isso se deva ao controle de compra e venda feito pelo governo, que impede o câmbio automático da sua moeda para bolívares. Então, é necessário trazer todo o dinheiro em cash, o que é obviamente péssimo e muito perigoso.

E como saber quanto dinheiro trocar? 

Isso varia do estilo da sua viagem mas o certo é que não se deve trocar todo seu dinheiro já no primeiro momento, pois se sobrar, será prejuízo. Ou não, você sai gastando mesmo, ostentando e agregando valor, afinal:

Eu sou rica! Rica!

A segunda informação, ou conselho, mais relevante para quem vem à Venezuela é Tome cuidado com os taxistas. Isso não significa apenas que eles irão te dar informações erradas, para que você pense que não conseguirá chegar à pé a um determinado local. O que acontece é que aqui há os táxis do bem e os táxis do mal, vamos dizer assim.

Whaaaaaaat?

É sabido de todos os venezuelanos que não se entra em qualquer táxi. Eu sinceramente não quero nem imaginar o porquê. Não gosto de imaginar coisas ruins e me limito a apenas acreditar que não se entra em qualquer táxi. É necessário sempre chamar uma empresa por telefone e esperar que te busquem. A informação sobre quais empresas ligar pode ser passada aos turistas nos hotéis. No caso do aeroporto, a coisa é ainda mais bizarra: existem os táxis oficiais – os do bem – e os extra oficiais, que são os do mal. Há vários relatos (como este) que contam que taxistas não licenciados frequentemente colocam os clientes para fora do caro em movimento e assim roubam toda sua bagagem, ou levam os clientes até o local onde se encontram os ladrões de verdade, e aí as chances de haver armas de fogo são muitas. O mais esquisito é que os motoristas não autorizados tem acesso livre ao salão de desembarque, sendo os primeiros a abordar aqueles que acabam de chegar, quase sempre desinformados. Isso aconteceu comigo, pois tive que esperar cerca de 5 minutos pelo motorista encarregado (que veio segurando uma placa com o nome do meu local de trabalho) e isso foi tempo suficiente para eu ter que me livrar de dois taxistas, que insistiam para que eu fosse com eles. Imagino que qualquer pessoa desinformada iria supor simplesmente que se trata de taxistas normais, e que esse tipo de abordagem é comum por aqui. Porém, os taxistas “de verdade”, aqueles que são licenciados, esperam em fila na parte de fora do aeroporto. É lá que todo turista deve ir. Para informações mais específicas sobre isso, ver o link logo acima.

Nas ruas, é também comum essa abordagem de taxistas. Já me aconteceu de estar esperando num ponto de ônibus, novamente por um período muito curto de tempo (menos de 10 minutos), e ser abordada por vários motoristas, que são bastante insistentes, e isso é bem chato. Além disso, a situação dos carros aqui é trágica. Sério. Não tem nenhum tipo de uniformização, nem de modelo nem de cor, e geralmente eles não tem cinto de segurança nos bancos traseiros. O que mais se vê são carros no estado de lata velha mesmo. A velocidade com que dirigem é assustadora, além do trânsito por si só ser caótico. E isso eu estou falando dos táxis do bem. Então, pegar um táxi aqui, pelo menos em Caracas, é sempre uma emoção.

Foto que representa bem a realidade da coisa.

E pra fechar com chave de ouro o assunto, simplesmente não existe taxímetro, então você tem que negociar o preço até seu destino final antes de embarcar. O sotaque estrangeiro deve ser uma grande razão para uma inflação súbita do valor, eu imagino.

É isso.

Contradições

9 mar

Estive pensando nesses últimos dias sobre como eu sinto que não sinto o que devia sentir. ???????????????????????

Isso, é claro, é ridículo. Como se fossemos assim tão previsíveis.

Explico.

Estando em Caracas, Venezuela, ouço todos os dias que sou louca. Algumas vezes até parece elogio. Olha aí que loucura corajosa. A maior parte, porém, é uma crítica óbvia. Que cê tem na cabeça? Você sabe o que é que tá acontecendo aqui? Alguns parecem se ofender com o fato de que uma pessoa possa ter deliberadamente escolhido estar aqui. Eu os entendo, mas não sei se me entendem. Talvez prefiram simplesmente não pensar muito a respeito e só repetir que sou louca.

Isso não significa que as pessoas me tratem mal. Nem um pouco. Algumas vezes, as atitudes soam um pouco agressivas, como se de alguma forma eu fosse culpada pelos problemas da Venezuela e devesse me envergonhar, ou algo assim. Mas já aprendi a entender esse tipo de reação – acho que estava preparada para isso antes mesmo de chegar. Além do mais, essas reações talvez nem existam de verdade e sejam só um dos reflexos da minha contradição interna que me faz pensar que eu não deveria estar feliz e que, já que estou, sou mesmo louca.

Afinal, todos adoram jogar na minha cara que nada disso faz o menor sentido. A Venezuela está cheia de problemas. Eu não sou professora de espanhol. Tampouco sou formada professora de português. Aliás, eu ainda nem me formei. Aqui eu não vou acumular dinheiro nenhum. Aqui eu mal tenho a possibilidade de comprar insira aqui o produto de sua preferência. E a gente fazendo graça da inflação do tomate ano passado né?  E você ainda por cima veio bem nessa época de manifestações!!!!!! Assim, como se eu pudesse ter adivinhado o início exato da saída do povo às ruas. Já que, obviamente, eu tenho poderes telepáticos. Fiquem ligados: semana que vem, post especial com a data em que tudo isso vai acabar!!! URRUL!

Ok, pessoas. Por favor, pessoas. 

Não tenho dúvidas de que isso é muito estranho. Já disse, eu mesma não entendo direito. Mas, de alguma forma, me sinto feliz e confortável. Acolhida. Me sinto em casa. E eu acho esse sentimento de calma questionável. Como posso me sentir assim? Como posso não ter medo? Isso não é injusto? Não estaria eu me aproveitando da desgraça alheia para benefício próprio? Como posso seguir um dia-a-dia feliz quando os outros não compartilham desse sentimento? E, dada minha linda inclinação ao trágico, não deveria estar me afogando num mar de arrependimento e tristeza?

Perguntas que parecem me fazer com olhares mas que, muito mais provável, são questionamentos apenas meus.

Por essa razão, não tenho escrito muito sobre como as coisas são aqui. Tenho vontade de contar sobre o cotidiano, sobre a cidade, a comida, as pessoas. Tenho vontade de fotografar as belas árvores e suas flores e gostaria de ser capaz de capturar a secura do ar. Parece que tudo queima. Mas a situação das pessoas com quem convivo aqui acaba me fazendo me sentir, sim, culpada. E acabo sentindo que posso sim ser feliz – aproveita enquanto dá! – mas que talvez devesse manter isso dentro de mim, para não ofender ninguém.

Faz sentido?

Não.

Mas tudo bem.

É isso.

Saga ruiva 1

16 dez

Oi, meu nome é Stephanie e eu estou passando por uma saga ruiva. 

Uma das funções desse blog é ajudar pessoas que estão procurando por informações na internet. Eu fiz muito uso disso antes de me mudar pra França e os depoimentos das pessoas foram muito importantes, pois me ajudaram muito a me preparar. Por isso, eu costumo colocar informações mais práticas, principalmente nos posts sobre viagem, como os links dos hostels ou pontos turísticos, mesmo que me dê preguiça, porque sei que isso pode vir a ajudar algumas pessoas por aí.

Além das viagens, eu pesquiso bastante em blogs sobre produtos de beleza. O principal motivo para isso é que simplesmente não dá pra confiar na maioria das vendedoras de lojas especializadas, que simplesmente te empurram o produto que elas tem que vender pra ganhar comissão. Decepções com cabeleireiros também são frequentes, principalmente quando se trata de tintura. Então, muitas pessoas optam por tingir as madeixas sozinhas mesmo, e esse é o meu caso. Buscando ser mais uma fonte de informação para aqueles que buscam dicas sobre isso, decidi escrever esse texto. Então, após essa longa introdução, aqui vão as palavras chaves pro google achar:

Ruivo natural, ruivo acobreado, pintar o cabelo de ruivo natural em casa, do preto ao ruivo, dekapcolor, soap cap com creme, tirar tinta preta do cabelo.

Agora, vamos à saga. Sabiam que saga é uma palavra islandesa, que nomeia as narrativas épicas do país? É a única palavra do léxico islandês que ultrapassou as barreiras e hoje é usada em diversas línguas. Sagas são sempre longas e assim será esse post.  A-HA, por todo esse conhecimento vocês não esperavam. #TécoLinguísta

Uma saga islandesa bem sangrenta, como sempre

Bom, este é o meu cabelo natural, nos idos de 2007:

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Foi bem difícil encontrar fotos sem edição, porque eu sonhava em ter cabelos pretos (que nem da Amy Lee) desde os 12 anos, então sempre dava um jeito de editar as fotos e deixar meu cabelo mais escuro. Acho que dá pra definir como castanho médio, com reflexos dourados.

Quando fiz 18 anos e comecei a ganhar meu próprio dinheiro, comecei a passar tonalizante preto. Fiz duas vezes no salão e depois passei a usar L’oréal Casting Gloss Preto 200.

541400_2887823310873_1118906403_32124421_776239332_nUma cara horrível e uma camiseta copiada da Amy Lee, para vocês verem o nível do negócio. 

moi et alina reloiinMinha querida amiga Alina 

Modéstia à parte, eu acho que fico muito bem com o cabelo preto. Nunca gostei da minha cor natural, sempre achei cor de burro quando foge. A maioria das pessoas que me conheceram já com o cabelo preto achava que era natural até eu comentar que pintava. Não duvido nada que um dia eu volte a usar essa cor, que além de tudo é muito prática.

De qualquer forma, quando eu estava morando em Lyon, me cansei da cor. Acho possível que isso se dê à imensa quantidade de preto que você é obrigado a ver durante o looooongo inverno europeu. A maioria das pessoas se veste de preto, inclusive eu, porque afinal nem todo mundo tem dinheiro pra comprar vários casacos e acaba comprando um só dessa cor, por ser mais neutra. Sem contar o céu eternamente cinza. Não sei se isso faz sentido, mas o fato é que eu me cansei do preto. Então eu fui fazendo força pro cabelo desbotar, usando xampus mais fortes e não pintei mais. Também entrei numa fase natureba e parei de usar condicionador. No lugar, usava óleos pesados (como de oliva) antes de lavar o cabelo, além de máscaras de leite, mel, azeite, canela, etc, e oléos mais leves após lavar. Passei henna natural umas 4 vezes e em alguns momentos ela deixou a raíz bem alaranjada, mas depois de algumas lavadas foi passando. No fim, o cabelo continuava pretty much black, ou pelo menos um castanho escuríssimo nas pontas e natural na raíz, com reflexos vermelhos da henna.

1002790_10200282130555442_377560442_nA foto mostra mais minha paixão pela Amy Lee do que meu cabelo, mas acho válido. 

Eu gosto de cabelos ruivos desde pequena e era secretamente apaixonada pela Lindsay Lohan. Mesmo depois que comecei a querer ser a Amy, eu me interessava só pelos piás de cabelo ruivo, que eram poucos (ah, menino do ônibus, como você era lindo. Mas calma, eu tinha 13 anos e ele uns 19, então fiquei ali no meu cantinho). Mas eu só decidi que queria ficar ruiva lá na França, só que como estava numa fase mais natural, não queria usar tinta. Na época não achava que a henna seria suficiente. Imaginei que ela fosse ajudar a clarear, e realmente ajudou, mas nada que me fizesse ruiva. Hoje em dia já sei que a henna natural deixa ruiva sim, desde que o cabelo esteja bem claro (numa base 8). Para quem se interessar por isso, procure o grupo Amor Acobreado no Facebook e veja o álbum sobre henna, onde você terá todas as informações.

Ahhhh, já ia esquecendo de comentar que a Amy ficou ruiva DEPOIS de eu começar a passar henna, então dessa vez eu não imitei ela não! hahahahahaha Aliás, nem gostei do ruivo dela, pelo menos não desse aqui:

Enfim, quando voltei pro Brasil dei uma de rei do camarote e esbanjei indo no salão sem nem perguntar o preço. Eu confiava muito no cabeleireiro em que ia, mas acabei saindo com um vermelhão super escuro de lá, que obviamente só pegou até o começo da orelha, onde o cabelo estava sem tintura. O resto continuou preto. Não tenho fotos disso mas olhando agora eu vejo que ficou BEM IGUAL a essa cor da Amy. Mas será o benedito que eu imito essa mulher até quando eu não quero?!? Complicado isso. Bom, eu fiquei muito indignada, primeiro porque ele não fez nada para igualar a raíz com o resto e eu não tinha pedido vermelho, e sim “ruivo natural escuro”, que seria mais ou menos isso aqui:

Lindsay, diva da minha infância, antes de se afundar nas drogas né!

Quando o cabelo foi desbotando, acabou ficando uma cor horrorosa de cereja, apenas na raiz! Eu não fiquei com raiva de verdade do cabeleireiro até que comecei a pesquisar sobre tingir os cabelos em casa, e fui ver que ele foi é muito preguiçoso. Ele insistiu que a raiz iria desbotar e igualar com o resto, mas hoje eu dia eu sei que não tem quase nenhuma possibilidade de uma tintura em raiz virgem desbotar pra uma cor mais escura! Ela desbota pro mais claro (no meu caso um cerejão indiscreto), sendo que as pontas, com uma quantidade enorme de tintura acumulada, ficam lá, super escuras.

Acabei passando um mês, se não me engano, com o cabelo daquele jeito, enquanto fui pesquisando muito. Encontrei vários exemplos de ruivos que eu gostaria de ter, li todos os blogs possíveis, comparei opiniões, vi vídeos. Descobri as maiores dificuldades em manter o cabelo ruivo, os produtos e os cuidados necessários… enfim, recolhi um grande número de informações, e é isso que qualquer um que pretende pintar o cabelo sozinho deve fazer.

Aliás, até mesmo aqueles que pretendem ir sempre no salão pintar o cabelo tem que pesquisar um pouco, porque a maioria gritante dos profissionais não explica nada do que vai fazer. Muitos deles nem perguntam se você tem outra tintura no cabelo, ou outro tipo de química, e isso é muito arriscado. O mínimo que eles tem que perguntar é se você fez alguma progressiva no cabelo. Além disso, nunca vi um salão que faça teste de mecha ou de alergia. Ou seja, o produto é jogado no seu cabelo sem nenhuma verificação de possíveis reações. Eu sei que quase ninguém faz isso em casa, mas deveria. E de qualquer forma, em casa a responsabilidade é inteiramente sua. Já no salão, a raiva de ter que pagar (e caro) por um procedimento mal sucedido é muito grande.

Outro detalhe importante ao ir num salão é a cor que você pede. Aquilo que chamamos de ruivo natural não tem NADA a ver com tintura vermelha. Peça ruiva ACOBREADO. Obviamente, é grande a variedade de tons de ruivo acobreado e alguns são sim mais avermelhados, mas a tintura vermelha não tem nada de natural. Para entender isso, basta comparar a foto da Amy Lee com a da Lindsay Lohan. Por mais que o da Lindsay seja bem avermelhado, ele é ACOBREADO e isso deixa ele mais natural, pois existem sim cabelos naturalmente assim. Já o cabelo da Amy é um tom fantasia. Outro exemplo desse vermelho é esse da Hayley Williams:

E caso não tenha ficado claro, digite “ruivo acobreado” no google e depois “tinta vermelha para cabelo” e veja a diferença nos resultados. Então, se quer um ruivo natural, evite usar a palavra VERMELHO.  E leve fotos do que você quer, assim você pode reclamar caso o resultado não tenha nada a ver com o pedido.

Bom, depois que você já tá todo conhecedor dos paranauê das tinturas (como o que a numeração delas significa além do que cada oxigenada faz!) você pode começar a escolher sua tinta ideal. Eu não fiz isso não, e me arrependo. Por isso, recomendo para todos que procurem grupos no Facebook (faço parte do Amor Acobreado, que já citei), onde você pode conversar com gente de todo o país e coletar ainda mais informações e ver a opinião delas sobre qual tinta vai dar o resultado que você quer. Isso porque só a numeração não basta. Algumas marcas são conhecidas por clarear mais o cabelo que outras, por exemplo. Isso você só descobre pesquisando muito e ouvindo muitos conselhos.

Voltando ao meu cabelo. Após essa tintura horrível que levei no salão, ficou evidente que toda a parte que recebeu tintura preta não iria pegar outra cor. Decidi então usar o DekapColor, que é um produto que retira pigmentos de tintura. Ele não faz efeito nenhum em cabelos virgens, pois não é um clareador. Fiz duas aplicações do produto e fiquei com o cabelo bem mais claro do que antes. Não via mais as pontas pretas, mas sim castanho avermelhado. Fui até a loja de cosméticos onde sou melhor tratada (a Casa Costa da Senador Alencar em Curitiba, apesar de ser uma loja cara) e conversei com uma das moças. Ela, assim como eu, achou que as pontas já tinham aberto bem, e então eu comprei duas tintas da Keune, se bem me lembro foram 8.43 e 7.3, mas não tenho bem certeza, com ox de 30 volumes. Minha mãe pintou meu cabelo aplicando desde a raíz até as pontas e no fim fiquei com três tons diferentes: os 2 cm de raíz virgem ficaram um ruivo claríssimo, dali até as orelhas ficou acobreado bem escuro e pra baixo das orelhas continuei com o cabelo preto, só que com bastante reflexo acobreado.

Eu estava me sentindo horrorosa. Confesso que até chorei no dia, mas depois me conformei, afinal sabia que essa história seria uma SAGA. Aqui uma foto do resultado, mesmo depois de duas semanas usando xampu anti resíduos nas pontas:

cabelo

Como as pontas estavam acobreadas, ouvi até gente dizer “Nossa, que legal, você escureceu as pontas!!!!!”. Dá pra imaginar minha cara né. Eu ali me sentindo horrível e a pessoa vem com uma dessas. Como diria a minha mãe, era um ombré invertido. Tudo bem, talvez não estivesse muito horroroso, mas eu odiei, principalmente a raiz claríssima, que não dá pra ver nessa foto. Para aguentar essa coisa horrível, eu passei duas semanas usando só coques e assim disfarçava bem.

Depois disso, apliquei DekapColor só na parte escura mais duas vezes. Novamente, o cabelo mudou de cor, mas dessa vez eu já sabia que não seria suficiente, porque foi semelhante à primeira vez que usei o produto. Como eu já estava participando do grupo Amor Acobreado há um tempo, tinha várias informações e decidi que iria fazer um SoapCap, por ser uma opção de decapagem muito mais barata que o DekapColor, porém bem mais agressiva.  Como meu cabelo já não estava 100% após o Dekap mais a tintura, sem contar as muitas lavagens com anti resíduos, fiquei com medo de fazer um SoapCap com xampu. Algumas meninas me aconselharam a usar sim o anti resíduos na receita, o que muitas fazem e se não me engano é a receita original, mas fiquei com medo e achei melhor prevenir, então optei pela receita com creme, que seria menos agressiva. Fiz a seguinte mistura:

37 gramas de pó descolorante azul + 75 ml de ox 20 + 75 gm de creme branco

A mistura foi insuficiente e acabei tendo que dobrar e no fim joguei um monte fora. Tive que fazer assim porque comprei um pote de ox de 75 ml ao invés de dois de 50, mas obviamente o certo é fazer:

50 gm de pó descolorante azul + 100 ml de ox 20 + 100 gm de creme branco

Deixei isso no cabelo por 40 minutos. O plano era deixar entre uma hora e uma hora e meia, mas percebi que uma parte do meu cabelo já estava bem mais clara, o que me fez correr para o chuveiro. Dei MUITA sorte e o resultado final foi pontas igualadas com o resto do cabelo:

DSC02066 DSC02068 DSC02075

A primeira foto não tem flash e as outras duas tem. O que eu consigo enxergar quando olho pro meu cabelo puxa mais pro laranja, então acho que as fotos com flash ficaram mais fiéis. Ele está com muitas manchas. Além da raíz que ainda está zuada e ainda por cima agora já está crescida, algumas partes no meio do cabelo continuam mais escuras. Já toda a parte de baixo da cabeça ficou muito mais clara que o resto, além de algumas mexas mais claras nas pontas, onde eu coloquei mais creme de propósito.

Agora eu tirando foto no Waldo X-Picanha, sem o menor medo de ser retardada:

DSC02078HAHAHAHAHAHAHA

Nem um pouco sem noção. Mas aí dá pra ver o laranjinha. Quase surtei com aquela mancha preta perto do coque mas a lógica me convenceu de que é só sombra mesmo.

Daí que agora eu tô passando por uma crise capilar, porque estou gostando da cor de agora mas sei que tenho que pintar logo. Ele está assim com uma cara, digamos… murchinha. Sem graça. Não consigo me decidir se quero um acobreado mais vermelho ou mais laranja e ainda estou com muito medo de que a próxima tintura não pegue direito no cabelo, que fique hyper manchado ou então muito escandaloso.

Por enquanto o que me resta fazer é hidratar e nutrir muito minhas madeixas, já que elas estão mais ressecadas e também quebraram bastante (dá pra ver numa das fotos os vários fios quebrados e as pontas duplas, tudo com muito frizz que vai demorar pra melhorar). Eu já tinha feito uma progressiva, mas como foi há 3 anos atrás e meu cabelo cresce bem eu já não tenho mais nada (ou quase nada) dela. Passei 10 meses sem usar chapinha, já que não levei pro meu intercâmbio (tática esperta) e não usava muito secador porque, como disse, estava numa fase natureba. Como eu era desocupada, tinha muito tempo para ficar fazendo toda a sorte de hidratações caseiras, então meu cabelo estava forte e aguentou toda a química que fiz agora recentemente. Eu não recomendaria fazer nem mesmo o SoapCap com creme em quem tem muita química, porque pelo que li as chances de corte químico ou do cabelo ficar elástico são muito grandes. Um pouco de bom senso e paciência é necessário. E nada de achar que um condicionador Dove é suficiente pra passar durante todo esse processo! No momento eu uso óleo de argan puro que trouxe lá da França e fede muito, porque não passou pelo processo de tirar o cheiro (não me pergunte como esse processo se chama) e por isso era mais barato, então misturo com óleo essencial de lavanda. Ele hidrata bem e ajuda quando tá com muito frizz. Minha linda amiga Jéssica, além de me dar essa lavanda, fez pra mim uma mistura de óleos que leva girasol, ylan-ylang e mais outras coisas que não me recordo. Ele é super pesado, então eu uso antes de dormir e lavo de manhã, duas vezes por semana. Pode ser substituído por azeite de oliva extra virgem, mas aí complica um pouco passar antes de dormir. Melhor usar nos dias em que fica um bom tempo em casa, deixar por 2 horas e depois lavar. Além desses óleos, uso máscaras de reconstrução uma vez por semana e isso faz uma diferença tremenda. Estou meio que seguindo o cronograma capilar e por isso uso máscaras de hidratação toda vez que lavo o cabelo (menos quando uso de reconstrução). Não estou usando chapinha, como de costume, e também dei um tempo pro secador. Isso tudo porque ninguém merece aqueles cabelos tingidos super estragados. Dá um ar de desleixo muito grande.

Vou parar por aqui porque não aguento mais, haha! Em breve mostrarei o resultado da próxima tintura e vamos ver se chego a algo bonito!

Sobre ser um reclamão

16 dez

Este foi um dos muitos textos que escrevi aqui no blog mas não publiquei. Se eu fosse publicar tudo o que escrevi teria mil posts, mas acabo achando tudo desnecessário depois que a vontade de desabafar passa. Enfim, aqui vai um texto sobre reclamar ou elogiar o país estrangeiro em que se está vivendo.

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O texto do francês sobre o Brasil realmente deu o que falar. Me mostraram hoje um texto resposta feito por uma brasileira que mora na França, que comenta quase todos os tópicos escritos por Olivier. O tom das suas respostas é bastante amargo, tanto que me passaram o texto mencionando “o ódio no coração” que vai aumentando a cada tópico.  Eu não sei dizer se foi apenas uma tentativa de ser cômica – não funcionou – ou se a moça realmente se sentiu bastante ofendida com os comentários feitos pelo francês.

(texto sobre o qual estou falando http://www.fodecast.com.br/curiosidade/brasileira-que-mora-na-franca-responde-as-observacoes-de-olivier/)

Claro, a primeira crítica a se fazer à lista de Olivier é a enorme generalização feita, definindo o Brasil através do pouco que ele conhece (Belo Horizonte), sem deixar isso claro. Oras, generalizar faz parte, mas seria legal se ele mencionasse na apresentação do seu texto qual é sua base de referência. De qualquer forma, por mais que ele frisasse que seus comentários são feitos baseados na pouca experiência que teve, na cidade X do estado Y, algumas pessoas continuariam a lê-lo como um europeu chato e metido, que se sente dono da razão e de todo mundo, e que não devia nada que ficar se metendo.

Eu o entendo. Por mais que eu tenha rido de boa parte de seus comentários, que me fizeram imediatamente pensar em pontos negativos muitos semelhantes da França, principalmente no que se refere à burocracia. A verdade é que é muito difícil não fazer comparações. Posso dizer sem medo de errar que isso é impossível? Acho que sim. É também muito difícil não ficar saudoso com o próprio país, não soltar um “No Brasil é assim” ou um “Eike vontade de tomar guaraná”…  Mas será que só porque me bateu uma vontade de comer um pão de queijo eu já me tornei uma reclamona? Não pode ser só as bixa se mexendo no meu estrombo? Ou o fato de eu achar baguette um pão muito duro e pouco prático já me torna uma “pessoa que não sabe se adaptar e decide atacar a cultura do outro”?

A impressão que dá é que pouco aceitam as comparações como uma coisa saudável e que nos leva a refletir. O bom senso tá aí pra que a gente não se torne o reclamão da turma, e é bom que a gente use. Mas eu realmente não vejo razões para que a gente ignore toda a quantidade enorme de informação que recebemos ao viver em um país estrangeiro, apenas em nome da… da sei lá o que, da finesse?

Ao mesmo tempo em que comparações não são muito bem vistas aqui no “outro país”, as pessoas do país natal também parecem não gostar muito quando a gente faz alguma comparação. A impressão que fica é sempre do recalque. Neste caso: pare de se achar porque está morando na Europa. No caso anterior: pare de falar do Brasil e aproveite a ryqueza da vida na Europa enquanto pode. Mesmo que você não tenha feito nenhum julgamento de qualidade (melhorXpior) e tenha se limitado a expor as diferenças.

Não tem como negar que muitas vezes a raiva, a solidão, a saudade, fazem com que a gente saia falando horrores do país novo. Assim como o deslumbramento nos faz transformar meros detalhes em maravilhas a serem apreciadas. E daí? Tudo tem seus dois lados, não é?  E é também evidente que mesmo no comentário mais imparcial que se faça, continua havendo predisposições, preconceitos, sentimentos ou mesmo falta de reflexão.  E sim, eu acho que o ideal é sempre buscar questionar suas próprias opiniões, debater, ouvir o outro.  Mas exigir parcialidade “jornalística” (HAHA) e rigor acadêmico em todos os momentos da vida é no mínimo chato.

Enfim! Pelo direito de reclamar, elogiar, comparar, comentar, se indignar (não terminei o texto antes e não vou terminar agora)